4 anos de site, 2 anos sem Jorge

26 de janeiro, 2011 © Publicado por Dani Lima

Nestes últimos 20 dias, passaram duas datas muito importantes para este site e que merecem registro: 30 de outubro este site completou 4 anos no ar e em 14 de novembro completaram 2 anos que Jorge nos deixou.

Fico feliz em manter este site, preservando a memória e o trabalho de Jorge, mesmo que não consiga mais atualizá-lo tão frequentemente. Mas para marcar estas duas datas que passaram, publico este cordel, escrito por Jorge na ocasião do falecimento do poeta popular Patativa do Assaré e publicado originalmente no site Usina de Letras. A homenagem, prestada de forma carinhosa por Jorge, vale agora para ele mesmo – um pedaço do Maranhão, doce como mel que agora é estrela.

A Deus Chico ,a Deus Patativa

Morre um pouco do cordel
Os cordelistas de luto
O mundo fica mais bruto
Foi-se doce como mel
Numa viagem pro céu
Seguindo Chico Xavier
Acredite se quiser
Um pedaço do nordeste
Virou estrela celeste
Patativa do Assaré

Jorge Sales

Quero aprender cordel

26 de janeiro, 2011 © Publicado por Dani Lima

1. Quero aprender cordel
2. Para mostrar na Usina
3. Brilhar qual estrela no céu
4. Ser cordelista , minha sina

1. Quero aprender cordel
Deixar a timidez de lado
Quem lambuza o pincel
É pintor atrapalhado

Cordel de uma nova era
2. Para mostrar na Usina
Se o aluno não prospera
O professor não ensina

Com jeito de bacharel
Com pinta de professor
3. Brilhar qual estrela no céu
Pós-graduado , doutor

Vocês verão quem eu sou
Não tomo banho de tina
Meu futuro é promissor
4. Ser cordelista , minha sina

Jorge Sales
Originalmente publicado no site Usina de Letras em 17/01/2002

Benvindo se finzifiu

26 de janeiro, 2011 © Publicado por Dani Lima

Ao iniciar de um ano
Chegou um cara importante
Que cruzou todo oceano
Vindo de terras distantes
Pra ser nosso salvador
E o que é mais importante
Trazer muita paz , amor

O nome dele era Benvindo
E a multidão aplaudindo
O seu grande benfeitor
Gritando seja bem-vindo
Benvindo seja bem-vindo
Seja você de onde for
Benvindo plante uma flor

Benvindo brote as idéias
Sejam novas ,sejam velhas
De Marte ou do exterior
Já que és benvindo no nome
Benvindo este é o homem
Honesto e independente
Se preciso, irreverente

Seja bem-vindo Benvindo
Benvindo prá presidente
Venha e bote prá quebrar
Bem-vindo neste lugar
A nossa terra querida
O que serão de nossas vidas
Sem você para plantar

Plantar nossas esperanças
Colher queridas crianças
Com futuros grandiosos
Benvindo seja bem-vindo
Benvindo seja brioso
Bem–vindo seja seu nome
Este é o nosso homem

Benvindo era bem vivido
Eta sujeito bem vivo
Benvindo seu nome artístico
O nome mais que perfeito
Como todo bom político
Do nosso país varonil
Benvindo se finzifiu

Jorge Sales
Publicado originalmente no site Usina de Letras em 04/01/2002

Carta para Valéria Tarelho

26 de janeiro, 2011 © Publicado por Dani Lima

Val,
nem sei o que dizer.
Gostaria que estivesses em meu lugar, aí saberias a sensação maravilhosa que é receber um poema de ti.
Muitos beijos.
Jorge

Publicado originalmente no site Usina de Letras em 28/07/2002

Resposta ao Daniel

26 de janeiro, 2011 © Publicado por Dani Lima

Quando li a tua carta
Fiuza , eu fiquei feliz
Por que sei que de um mestre
Se escuta tudo que diz
Mas não se esqueça parceiro
Foste meu mestre primeiro
E sempre serei um aprendiz.

Jorge Sales
Publicado originalmente no site Usina de Letras em 05/10/2002

Parabéns Milene Adler

26 de janeiro, 2011 © Publicado por Dani Lima

Parabéns Milene Arder
Quase nasces no Natal
Muita fé, muita saúde
E amor que é natural

Parabéns para nós outros
Pela graça merecer
De contigo conviver

Hoje nós agradecemos
O teu poema de molho
Teu cordelzinho faceiro
Todo este teu tempero
Mais real que imaginário
E de quebra desejamos
Um feliz aniversário

Jorge Sales
Publicado originalmente no site Usina de Letras em 16/12/2002

Inspirado em Jorge Sales

21 de janeiro, 2010 © Publicado por Dani Lima

Por Felipe Lobo dos Santos
Felipe escreveu esta poesia inspirado na letra ‘Destino dos ventos’ de Jorge Sales:

Capa de valentia dos ventos,
mestre e vela quando necessários,
Assim não sendo,
É coração o leito do rio.
Da crua situação sertaneja,
nas pedras entalhadas dos calores
para o único desfecho de pedra polida.
Nas margens do coração
tudo é circunstância de todas as águas.
Dos olhares, ‘sobredestinos’ de suas fontes,cristalinos,
são pescadores das mesmas profundidades dos rios
a que se lançam profecias de marés.
Os frutos das pescarias,
que são das vidas mareadas,
como estas são um só
e para serem sempre um só
e não serem solitários,
escolhem entre os destinos
serem oceânicos,
São porque não há,
neste mundo,
nem nos próximos,
embarcação que talhando as ondas,
cicatrize suas águas.
Que elas sabem aproveitar
o mesmo embalo de mãe tormenta
para fazerem-se enquanto deslizar
e entre os quereres e o destino,
o seu firmamento.

Felipe Lobo dos Santos

Poema para Jorge

18 de janeiro, 2010 © Publicado por Dani Lima

Por Graça Ribeiro
Poema em homenagem a Jorge, enviado por sua amiga Graça Ribeiro em 14/01/2010

Gosto de escrever ouvindo música
Hoje o tic tac do relógio imaginário
pôs imagem do passado no caminho
livros antigos e página do dicionário
pularam de dentro do meu armário

A memória é um poema adormecido
basta ouvirmos o que o silêncio diz
e a palavra tenta dizer ao aprendiz
para não parar no meio da estrada
desvios são os desatinos da jornada

Os óculos perdidos em cima da mesa
grãos de café sobre a folha amarelada
trouxeram presença do tempo vivido
lembranças já um pouco desbotadas
com o sabor de um amor tão querido

Tornamo-nos apaixonados pelo verso
mas o tempo desta vida nos separou
agora ele é estrela em outro universo
o que ficou foi o que nunca terminou
o amor pela poesia que nos aproximou

Dedicado ao amigo Jorge Ribeiro Sales que agora é saudade.
Graça Ribeiro

Feliz Natal

22 de dezembro, 2009 © Publicado por Dani Lima

Aprendi que os Reis Magos
Com a luz da estrela guia
Iluminando o caminho
Encontraram a estrebaria
Onde estava O Deus menino
Nosso rei nosso divino
Jesus , filho de Maria

Queira Deus que esta luz
Mostre o sentido do bem
Para toda a humanidade
E os anjos digam amém
Que voltemos a sonhar
Peito aberto para o amar
Não falte nada a ninguém

Um mundo feito sem guerra
Peço em oração ao Senhor
Que nos dê hoje e sempre
Muita humildade e amor
Saúde , brilho , amizade
Muita fé , dignidade
Aos olhos do redentor

Os sentimentos inúteis
Deixemos todos de lado
Peço ao senhor nosso pai
Perdão aos nossos pecados
Que seja muito natural
O bem vencedor do mal
Jesus prá sempre louvado

Busquemos o novo sonho
Busquemos o sonho antigo
Que Deus a todos proteja
A todos dê bom abrigo
Muita paz ,muita alegria
Um Natal todos os dias
E um mundo só de amigos

Jorge Sales
Cordel publicado originalmente na Usina de Letras em 22/12/2002.

1 ano

14 de novembro, 2009 © Publicado por Dani Lima

Hoje completa um ano que Jorge Sales nos deixou. Parece pouco, o tempo passou passou rápido, levando embora a tristeza inicial e deixando mais fortes as memórias felizes. Parece muito, o tempo se arrastou em cada dia que não pudemos contar com a companhia e conversa de Jorge e castigou nosso peito de saudades.

Infelizmente eu tenho tido menos tempo para atualizar este site do que gostaria. Mas neste dia, convido vocês a navegarem pelo site e lembrarem algumas das belas obras de Jorge, como: Sonho sonhado, Solidão, Vamos cantar qualquer coisa, Vida de Cordel, Lua de Luana, Desencanto e tantas outras que vocês podem encontrar neste site.

Convido também a lembrar a homenagem dos amigos de Jorge em seu último aniversário: Jorge Cantador, quem esteve lá lembra de como Jorge ficou feliz e emocionado com a homenagem.

A memória de Jorge continua viva na sua obra, neste site e em todos os visitantes que vêm apreciar sua poesia, cordéis e músicas.

Um ano Sem Jorge Sales: Um Poeta Maranhense

14 de novembro, 2009 © Publicado por Dani Lima

Texto de José Lemos

Jorge foi um daqueles maranhenses que não nasceram no seio das famílias ricas e influentes. Aquelas famílias em que os filhos e as filhas, para conseguirem algo da vida, precisam do empurrão dos pais ou de amigos, e que sempre encontram uma forma de aboletarem-nos próximo aos cofres públicos. Meninos e meninas mimados “bem nascidos” (será que foram mesmo?) que sempre tiveram tudo o que quiseram como presente dos papais ricos, às vezes até o destino de gerações. E não fizeram por menos: aproveitaram para enriquecer, tendo nos cofres públicos, e não no talento, a sua fonte única de conquistar mais riqueza material. Seu grande objetivo na vida.

Ao contrario, Jorge “ralou” para conseguir o seu lugar ao sol, que conquistou de forma brilhante. Ainda adolescente já ganhava a vida ensinando matemática e honradez para garotos mais novos do que ele. Morava no Caminho da Boiada, entre a Coréia e a Macaúba, Jorge, por aquela época, já mostrava talento na construção de versos que sugeriam o seu grande potencial poético que viria com o tempo.

Estudante do velho Liceu Maranhense, ainda no Ginásio, mudou-se para a casa do Pai no Rio de Janeiro, deixando em São Luis, com a promessa de buscar depois, a mãe e a irmã mais nova. Promessa que, mais tarde cumpriria com muita dificuldade. O recomeço de todos na grande cidade foi difícil. Nada, contudo, que arrefecesse o ímpeto e a vontade que sempre teve para estudar. Sabia que aquela era a única saída para quem nascera sob as suas condições.

Formou-se em Engenharia Têxtil e logo foi trabalhar numa empresa que produzia roupas intimas femininas. A sua vida começava a mudar. Casou com moça de boa índole, teve três filhas. Mas a vida sempre prega das suas. Transcorridos dez anos de trabalho, eis que recebe a informação de que estava demitido.

Triste, mas não abatido, recomeçava a sua vida estudando duro para fazer concurso público. Conseguiu aprovação, com destaque, no da Receita Federal e foi trabalhar no Espírito Santo. Teve uma carreira brilhante que o levou ao topo das posições naquele órgão pela sua competência, lisura e empatia que lhe proporcionava uma capacidade incrível de aglutinar pessoas em torno de si. Depois fez vestibular, e foi aprovado, para o curso de Matemática seu sonho acalentado por longos anos.

Bem posicionado, pôde finalmente dá vazão ao poeta que deixara de lado para cuidar do seu futuro e da sua família. O seu talento foi logo notado e reconhecido. Viajou por vários Estados mostrando poesias, cordéis, músicas… Nos finais de semana, junto com outros colegas de Vila Velha, Espírito Santo, lecionava, como voluntario, em cursos preparatórios para concursos que tinham pessoas carentes como clientela.

Mas em 2007 uma doença traiçoeira lhe pegou. Como todo parasita, a doença burra chega e se aloja no organismo, dele se alimenta e o vai destruindo aos poucos. No começo de forma assintomática, depois com mais agressividade, até levá-lo ao óbito causando muita dor tanto para quem a tem como para a família. Com a morte do organismo, também morrerá o parasita, num processo sinérgico autofágico e estúpido.

Assim pereceu o meu professor Jorge no dia 14 de novembro de 2008 no pique dos 63 anos. Os maranhenses não conheceram a sua obra em vida, mas poderão fazê-lo depois da sua morte entrando na sua pagina na internet. Ali encontrarão versos, cordéis, músicas e perceberão também como ele foi querido longe da sua terra. Chegará um dia em que o Maranhão reconhecerá quais são e quem foram, de fato, os seus filhos talentosos. Pena que no caso do Jorge, e de tantos outros, quando isto vier a acontecer, eles não poderão mais testemunhar. Descansa em paz meu irmão! Fostes um vitorioso!

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*José Lemos escreve aos sábados no Jornal O Imparcial de São Luis, Maranhão. Professor Associado na UFC. www.lemos.pro.br.

Para Sal, alegre ou triste?

2 de setembro, 2009 © Publicado por Dani Lima

Sal, tenho que confessar
que nunca vou te entender.
Ontem te vi tão tristinha,
jeito de tanto sofrer
que até cheguei a pensar
que teu mal fosse de amor.
E hoje, tão alegrinha,
tu vens tirar pra dançar
um elegante senhor?

Eu só posso deduzir
- e isso eu faço a sorrir –
que és bem dura na queda,
difícil mais forte achar
e, nascida para amar,
ninguém te transforma em pedra.

Jorge Sales
Publicado originalmente em 18/03/2002 no site Usina de Letras

Desdentado não come III (Final)

25 de agosto, 2009 © Publicado por Dani Lima

Desdentado com emoção
Achou muito deprimente
Deixar o tesão do homem
Ficar a mercê do dente
Pensou, é questão de honra
Não é que seja desonra
Mas tudo será diferente

Procurou um psicanalista
Pra resolver seu problema
Com a cabeça no divã
Contou todo seu dilema
Falou doutor realmente
Se não escovar os dente
Eu não transo com Jurema

Que houve na sua infância
Perguntou-lhe o doutor
De pronto ele respondeu
Mamãe me deu muito amor
Mas lembro de Filomena
Que era coisa de cinema
Mas nunca me respeitou

Sempre após as refeição
Minha babá feito louca
Passava pasta em meus dente
Eu não dormia de touca
Ela levantava a saia
Eu não fugia da raia
Dava-lhe um beijo na boca

Bravo seu Desdentado
Acabou-se a sua sina
O doutor firme afirmou
O problema é esta menina
Agora que sabes home
Desdentado agora come
Será cordel na Usina.

Jorge Sales
Publicado originalmente em 09/01/2002 no site Usina de Letras

Desdentado não come II (A Missão)

18 de agosto, 2009 © Publicado por Dani Lima

O gaúcho foi pra consulta
Foi lá explicar seu drama
Disse, doutor como pode
Toda vez que vou pra cama
Nem que cruze meus bigode
Nunca sobe este indecente
Se antes não escovo os dente

O doutor lhe disse, moço
Não se sinta aperriado
Não vá ao fundo do poço
Preste atenção no recado
Lhe receito simpatia
Se deu certo com titia
Dará no concubinato

Tire a escova do armário
Bote fogo ,faz de conta
Que é vela de aniversário
A mulher grita, gaúcho
Ta pegando fogo na casa
Aí você sai do arbusto
Vai por trás e manda brasa

O gaúcho foi tentar
Mas achou muito esquisito
Assim que acendeu o fogo
Sua mulher deu um grito
Com cara de poucos amigo
Disse: baixe esse facho home
Que desdentado não come

Jorge Sales
Publicado originalmente em 07/01/2002 no site Usina de Letras

Desdentado não come

11 de agosto, 2009 © Publicado por Dani Lima

Tem certo tipo de gente
Pode ser homem ou mulher
O que melhor convier
Em Vila Velha tem um moço
Gaúcho bem talentoso
Do tipo que come a carne
Mas não dispensa o osso

É um sujeito independente
Tipo assim de antigamente
Rema conforme a maré
Não faz amor com a mulher
Se antes não escovar os dentes
Também não dispensa um mate
Com seu sorriso colgate

Seu hobby é fazer churrasco
Adora o time do Grêmio
Mas torce mesmo é pro Vasco
Gaúcho bom de cozinha
Faz tudo que é iguaria
Gentleman com a vizinha
Seja Anastácia ou Maria

Quando vai prá sua alcova
Coloca pasta na escova
Passa pasta de montão
Sua mulher diz, filho
Isto acaba com o tezão
Não consegue o displicente
Se antes não escovar o dente

Na cama, a mulher nele roçando
Ele foi logo avisando
Deixe de ser indecente
Você sabe que sou homem
Mas hoje não escovei meu dente
Não adianta ser prá frente
Porque desdentado não come

Jorge Sales
Publicado originalmente em 02/01/2002 no Site Usina de Letras