Andaraí
24 de abril, 2009 © Publicado por Dani Lima
Eu perdido por aqui
E tu
Andaraí
Jorge Sales
Publicado originalmente em 14/08/2002 no site Usina de Letras
Lembranças de Jorge
21 de abril, 2009 © Publicado por Dani Lima
Jorge Sales deixou amigos e lembranças por todos os lugares por onde passou. Abaixo um comentário de um amigo dos tempos do Rio de Janeiro. Antonio, sinto muito que o tempo não tenha favorecido seu reencontro com o Jorge, mas tenho certeza que ele ficaria feliz de você ter “encontrado” o site dele.
“Sou testemunha de toda a parte contada sobre o Jorge, quando ele chegou ao Rio de Janeiro. Era vizinho do pai dele. O Jorge foi a pessoa mais dedicada aos estudos que conheci.
Por motivos profissionais perdi o contato com ele e com a Nelma. Nunca mais nos vimos.
Tentei contato com ele pela Internet, sem sucesso. Hoje, dia 21 de abril, ao tentar um novo contato, descobri a notícia da morte dele, o que me deixou profundamente triste. Imaginei assistir a um show dele em Vitória e, ao final, procurá-lo para um abraço. Não deu tempo.
Não sei se a família dele lerá esta mensagem. A eles deixo meus sentimentos. A Nelma, que tive como amiga, minhas saudades e a vontade de ter notícias suas.
Antonio Carlos Lonthfranc (irmão da Eliane) Rua “L”.”
Quando este dia vier
17 de abril, 2009 © Publicado por Dani Lima
Logo logo ficarei
com a pessoa que quero
e,salvo engano,
neste dia serei rei ,
rei de todos os meus planos .
Eu um dia ainda hei
de realizar meus planos
neste dia serei rei
rei de todos os meus sonhos
Hei ainda de passar
por todos os meus atalhos
nos atalhos vou achar
o objeto sonhável
e neste dia admirável
melhor de todos os dias
aí entregar-me- ei
a todas as fantasias
Jorge Sales
Publicado originalmente em 04/08/2005 no site Usina de Letras
Cunversa alêia
9 de abril, 2009 © Publicado por Dani Lima
“Conversa de Cordel” entre Silva Filho e Jorge Sales
Almir
Jorge Sales, eu li tudo
Qui tu disse pra Lili
Demonstrano a sabença
Que não vem do ti-ti-ti;
Tu falô tudo qui pensa
Sem provocá dizavença
Pôis dizavença não vi.
Jorge
Dizavença nunca faço
Nós dois amamo a Lili
Vosmecê é a união
Maranhão com Piauí
Eu falo tudo qui penso
Mas se alguém fizer um censo
Unanimidade é Almir
Almir
Pôis dizavença não vi
No izercíço da arte
A rima tem sêus mistero
Qui cada bardo reparte;
Eu aqui sôu mui cincero
Não sei se fôi lero-lero…
Na verdade preguntarte.
Jorge
Na verdade preguntei
Por força da circunstança
Falaria ao pé do ouvido
Se não fosse a distança
Lili é uma bela mulher
Do cordé faz o que quer
E eu não sou mais criança
Almir
Na verdade preguntarte
Por um tal de Silva Filho
Nome que serviu de mote
Pra firmá o estribilho;
Se a Lili deu um calote
Ou recebeu um pacote
De cordé fora dos trilho.
Jorge
O cordé fora dos trilho
Isso o Almir nunca faz
Ele não faz nem na guerra
Quanto mais tempo de paz
A Lili não dá calote
E ainda pra sua sorte
Almir é um bom rapaz
Almir
De cordé fora dos trilho
Pruquê chegô pur tabela
Arguém mandô um e-mail
Qui passô na caixa dela;
E ela qui nunca faz fêio
Num jogô pra escantêio
Pôis achô lugar na tela
Jorge
Ela achô lugar na tela.
E aí não pestanejou
Quando abriu a Usina
Bem lá dentro ela jogô
Vou fazê um ba fa fá
O cordé vou espalhar
Foi assim quela pensou
Almir
Se orve argum galantêi?
Tu fêiz ôtra indagação…
Dessa vêiz tu fôi ao cume
Cum essa tal inquirição;
E confórme os custume
Quém lêu notô um ciúme
Na tua preguntação.
Jorge
A minha preguntação
Não foi pregunta a esmo
Eu banquei o mineirinho
Desses qui come torresmo
A Lili tem o seu lume
Se acha que foi ciúme
Eu sei foi ciúme mesmo
Almir
Tu chamô de serelepe
Nossa minina amada
Têu verso sem estribêra
Dexô a mina danada;
Tu vem ansim pelas bêra
Cantando mulé-rendêra
Prá gãiá u’a namorada.
Jorge
Pra gãiá uma namorada
Eu faço qualquer negócio
Eu canto mulé-randera
E finjo que estou no ócio
Assim mamãe me ensinô
Mas acredite dotô
Eu faço porque eu posso
Almir
Meu amigo Jorge Sales
Discurpas quero pedir
Mas a Lili tem um brilho
Qui fáiz a gente fremir;
E a questão do Silva Filho
Como diz o estribilho
O Silva Filho é Almir.
Jorge
O Silva Filho é Almir
Que espanta todos os males
Que sobe em qualquer montanha
Escala todos os vales
Pensando bem aliás
Se vejo a Lili vou atrás
O meu nome é Jorge Sales
Jorge Sales
Publicado originalmente em 18/03/2006 no site Usina de Letras
Foi belo o dia de hoje
3 de abril, 2009 © Publicado por Dani Lima
Hoje o dia foi demais
Foi mais do que eu queria
Eu vi vários cordelistas
De novo aqui na porfia
Assistir alguns cantadores
Num festival de valores
Voltando prá cantoria
Eu vi Domingos Medeiros
Puxando um belo refrão
Vi o Rubenio Marcelo
Cantando bela canção
Veio de Icó , Manezinho
Tão belo qual passarinho
Cantando os oito em quadrão
Meus amigos do Usina
Eu lhes afirmo que vi
Eu vi Daniel Fiúza
Puxando o jogo prá si
Eu vi o Airam Ribeiro
Pintando de conselheiro
Meninos, eu vi o Almir
Posso dizer que este dia
Foi mais que satisfatório
Sei que outros cordelistas
Virão com seu repertório
Para crer só vocês vendo
Vi até Milene descrevendo
O dia do seu velório
O dia aqui começou
Com o Ode ao Cordel Fraternal
Chamamento do Rubenio
Para um dia bem legal
Espero o Benedito
Mas meu coração está aflito
Espero a Lilian Maial
Jorge Sales
Publicado originalmente em 17/11/2003 no site Usina de Letras
Novo “Vizinho”
30 de março, 2009 © Publicado por Dani Lima
O Professor José Lemos, amigo de infância de Jorge Sales, lançou seu site. Lá você pode conferir o currículo, livros, artigos e textos do Mestre.
http://www.lemos.pro.br/capitulos.php
Desejamos a José Lemos boas vindas à nossa “vizinhança” virtual! :)
Se o Rubenio chama a gente, a gente corre pro abraço
26 de março, 2009 © Publicado por Dani Lima
Semana passada, no dia 18 de março, foi aniversário do Rubenio Marcelo - um dos principais parceiros culturais de Jorge Sales. Então, em sua homenagem, republico este cordel, que Jorge fez para o Rubenio em 16/11/2003 e publicou na Usina de Letras.
Rubenio escreve de tudo
Escreve coisas do norte
Assuntos de toda sorte
De careca e de barbudo
De poeta do absurdo
Fala de circo e palhaço
Fala do ferro e do aço
De burro e do inteligente
Se o Rubenio chama a gente
A gente corre pro abraço
Rubenio é compositor
Que compõe como ninguém
Fala do mal e do bem
Da paixão e do amor
Homem de bem sem rancor
Nunca faz estardalhaço
Manda o ruim pro espaço
É um cabra consciente
Se o Rubenio chama a gente
A gente corre pro abraço
Rubenio chamou Daniel
O Zé Ferro e Manesinho
Chamou Almir com carinho
Cada um no seu papel
Para voltar pro cordel
E isso agora , eu faço
Volto a ocupar este espaço
Nem pode ser diferente
Se o Rubenio chama a gente
A gente corre pro abraço
Chamou Dantas e Daudeth
Chamou Egídio, o Bilac
E o Benedito este craque
Jogou em todos confete
Chovesse até canivete
Não vou causar embaraço
Mas seu chamado repasso
Com ele sou conivente
Se o Rubenio chama a gente
A gente corre pro abraço
Aproveito prá chamar
A cordelista genial
A linda Lilian Maial.
Eu quero me inebriar
Nos seus poemas sem par
Compostos de passo a passo
Ritmados no compasso
Da poeta coerente
Se o Rubenio chama a gente
A gente corre pro abraço
Também chamo o Antonio Albino
Cordelista bom de rima
Com seu cordel obra prima
Gente boa ,homem fino
Num cordel bom que assino
Que volte a este pedaço
Pegar os versos no laço
Poeta polivalente
Se o Rubenio chama a gente
A gente corre pro abraço
Jorge Sales
Publicado originalmente em 16/11/2003 no site Usina de Letras
H2O no Choro
7 de março, 2009 © Publicado por Dani Lima
Quando eu quero chorar
eu vou fundo na minha emoção
penso em você
minha fonte de inspiração
meu bem-querer
minha bela razão prá viver
me faz sentir
bons momentos de paz
e de grande prazer
quando eu quero sonhar
eu mergulho no meu violão
lembro você
e dedilho uma linda canção
meu querer-bem
é alegria do meu coração
me faz pensar
que estou em oração
venha prá cá
venha ver como é bom
amar
vem ficar bem feliz
porque
navegar neste sonho
é bom
o bandolim
que desperta paixões
com as suas improvisações
que alegra os chorões
e enfim
venha prá cá..
Jorge Sales
Publicado originalmente no site Usina de Letras em 29/11/2001
Aviso de Publicação
19 de fevereiro, 2009 © Publicado por Dani Lima
Faz tempo que eu não publico um texto do Jorge por aqui. Então, aos amigos que, eu sei, andam com saudades, segue este “cordel homenagem”, que o Jorge gostava muito de fazer.
Eu tenho muitos leitores
Pra vocês eu deixo claro
Um deles José Amaro
Homem de grandes valores
Os outros também amores
Que vivem em meu coração
O Cecitonio é meu irmão
Tenho a Sophia Ferreira
É grande minha carteira
Que amo com devoção
Leitores de qualidade
Maria Carmen é um amor
Eu vou aonde ela for
Buscar minha identidade
Para falar a verdade
Me sinto muito amado
Quando recebo um recado
Que tive uma leitura
Desta menina candura
A Eliane Guaraldo
E a leitora Lorena
Bessani de nascimento
Não são palavras ao vento
Que saem da minha pena
Esta beleza morena
Aqui é sempre bem-vinda
Torna minha vida linda
E se me vem Benedita
Valorizando minha escrita
A vida é mais bela ainda
Estes são os meus irmãos
Que lêem tudo que escrevo
Amigos eu vos recebo
No fundo do coração
Minha pura gratidão
Nem sei se é meu merecer
Bené você pode crer
Ceci, Amaro, Eliane.
Maria, Sophia, Bessani
Jamais vou vos esquecer.
Jorge Sales
Publicado originalmente no site Usina de Letras em 21/04/2006
Lembranças
19 de fevereiro, 2009 © Publicado por Dani Lima
Quem deixa este mundo, não se vai totalmente. Sempre ficam lembranças. E talvez possamos medir a vida de uma pessoa pela quantidade de lembranças que ela deixa.
Recentemente Liane, filha de Jorge Sales, me passou algumas fotos de diversos períodos da vida de Jorge - para a gente se lembrar :).
Foi-se um Grande Talento Maranhense
9 de fevereiro, 2009 © Publicado por Dani Lima
José Lemos, que foi amigo de infância Jorge Sales, publicou este texto em homenagem a Jorge Sales no Jornal “O Imparcial” do Maranhão, no último sábado 7 de fevereiro.
No último 14 de novembro o Brasil, Espírito Santo, terra que adotou, e o Maranhão, onde nasceu, perderam um talentoso poeta, compositor, cordelista e, acima de tudo, um grande ser humano. Desses difíceis de encontrar no mundo atual movido a interesses, a poder e a muito dinheiro. Morreu na aurora dos recém-entrados sessentas Jorge Ribeiro Sales ou, simplesmente, Jorge Sales, o nome que adotou para assinar a sua vasta obra. Continua »
Dos arquivos de Rubenio Marcelo - Parte III
23 de janeiro, 2009 © Publicado por Dani Lima
Cordéis-documentos que registram as primeiras viagens de Rubenio para Vila Velha - ES (2003 e 2004), terra que Jorge Sales adotou como sua. Como estas obras foram escritas nas datas constantes nos respectivos cordéis, retratam obviamente acontecimentos e pessoas/personagens da época.
UM ESTADO DE ESPÍRITO, ESTADO DE ENCANTO, UM ESPÍRITO SANTO!
03/08/2003
Rubenio Marcelo
Todo amigo de verdade
É um perenal abrigo.
Sim, é um porto seguro
O bom e sincero amigo.
Jorge Sales é assim,
Amigo, irmão, querubim…
É com a alma que eu digo.
Assim fui pra Vila Velha,
Aquele lindo lugar.
Chegando no aeroporto,
Eu pude logo avistar
A Roseane e Jorginho,
Que chegaram bem cedinho
Somente pra me esperar.
Dali fomos para o lar
Do vate Jorge Ribeiro;
E, após aquele banho
E trocar roupas ligeiro,
Saímos num papo bom
Pra ver a turma do som
E começar o roteiro.
Saímos bebendo a noite,
Rumamos para Vitória;
Naquele Espírito Santo,
Naquela sagrada glória;
Naqueles ares artísticos,
Curtindo pontos turísticos
E revivendo a história.
Lá no Café do Museu,
Ouvimos Mara Veloso,
Cantando e já encantando
Com timbre miraculoso.
Ao seu lado, sem alarde,
O seu maridão Libardi
Estava todo dengoso.
Jamais irei esquecer
Aqueles belos momentos:
Mara Veloso cantando
Nosso “Destino dos Ventos”;
E ainda outras canções
Repletas de emoções
E “A Paz em Movimentos”.
Depois, já em Vila Velha,
Com alma a todo vapor,
Fomos ouvir Cecitônio,
Grande músico/cantor;
E vimos lá na platéia
A nossa amiga Andréia,
Que é também um amor.
Ouvimos “Almas em Chamas”
Na bela voz do parceiro:
O Cecitônio Coelho,
Tesouro-cancioneiro!
Um dos maiores artistas
Que já miraram minhas vistas
Nesse torrão brasileiro.
Em seguida, prosseguimos
Nesse fantástico clima…
E fomos a outro “Point”
Ouvir o Barbosa Lima:
Parceiro-irmão de verdade,
Artista de qualidade!
De Deus, uma obra prima!
Barbosinha, no seu pinho,
Com seu estilo altaneiro,
Cantava “Praia da Costa”,
Provando ser verdadeiro;
E, selando a emoção,
Tocava inda “Coração”
E “Destino do Vaqueiro”.
Quem tava também por lá,
Com seu jeitão brincalhão,
Com grã sensibilidade
(pureza no coração),
Carisma e muita alegria,
Talento e sabedoria,
Era o amigo Marcão.
Bom baiano de Ilhéus,
Mas hoje vila-velhense,
Marcão ostenta o carinho
E o jeito nordestinense,
Fraterno como um irmão!
− E é assim que Marcão
Com sua paz tudo vence.
Bom de gogó e de ritmo,
Marcão não conhece o mal.
É bamba e adora um samba
Pra alegrar o pessoal.
Fascina o povo dali,
Criou o “Fi-ri-fi-fi”
Pra animar o carnaval.
Esse bloco de artistas,
Que é sério, não é brinquedo;
Pois tem o Jorginho Sales:
Um diretor sem segredo.
E nesse Firififi,
Barbosa Lima e Ceci
Puxarão o frevo-enredo.
Agora volto a falar
Da minha bela excursão;
Da nobre hospitalidade
E cada uma emoção
Revestida de encanto
Daquele Espírito Santo
Que ornou meu coração.
Também não posso esquecer
Da confraternização
Que Jorge e sua família
Montaram, com atenção;
Festança espetacular
Para me homenagear
Com muita dedicação.
Churrasco, música, cerveja,
Cantores e violões,
Timbraram aquele encontro
Com divinais emoções…
Roseane, no teclado,
Com Mara, do outro lado,
Cantaram belas canções.
Assim, em contentamento,
Neste carinho mui pleno,
Peguei também a viola,
Solando em tom mui sereno;
Na flama desta resenha,
Mirando a Igreja da Penha
E o Morro do Moreno.
Cantei com o Barbosinha,
Que foi pra mim u’a lição
De vida e de competência,
Talento e sábia visão;
E pra não perder a rima,
Eu digo: Barbosa Lima
É luz na nossa canção!
Tive também o prazer
De cantar acompanhado
Por Cecitônio Coelho,
Com seu ponteio sagrado;
Naquele são ambiente
Repleto de fina gente,
De amigos pra todo lado…
Ali estavam Libardi,
A Mara, Tojal e Vera;
Jorginho Ribeiro Sales
Com irmandade sincera;
Ângela, esposa de Jorginho,
O Marcão e o Marquinho
E ainda outra galera.
A Madalena e o Bruno,
Juliano e a Adriana
Complementavam os Geller
Com a princesa Juliana;
Eloísa e seu marido:
Tudo um povo mui querido,
Tudo gente mui bacana.
Eu agradeço também
À Lisitânia, aplicada
Esposa do Barbosinha,
E toda familharada;
Pela sua bela festa
Com amigos da seresta
Até bem de madrugada.
Também foi muito legal
Ouvir as nossas canções
Tocadas na FM,
Com grandes aprovações;
No carro, à beira-mar,
Ficamos a escutar
As nossas composições.
Envio um forte amplexo
A estes reais tesouros:
À Rádio Praia da Costa,
Ao Clóvis, voz de besouro;
E ao Rossini Macedo,
Que se veste do enredo
Do grande Tonho dos Couros.
Rossini é bom companheiro
Dos melhores que já vi;
Comunicador perfeito,
Traz o improviso em si;
Empurra o povão pra riba…
Orgulho da Paraíba,
Presente do Picuí!
O Tonho, seu personagem,
É este cômicozinho,
Que nas apresentações
contracena com Sininho;
O Tonho, desmantelado,
É cabra nordestinado
Que faz maior burburinho.
E agradeço à Gazeta
Pela entrevista e o convite.
Pois lá, com Barbosa e Jorge
Cantamos, demos palpite,
Fizemos um escarcéu
E falamos de cordel
Num programa de elite.
Falamos com apetite
Da Arte e do porquê
Da Cultura Popular,
Nosso fecundo ABC.
E de maneira sutil,
Mostramos todo perfil
Que tem o nosso CD.
Ainda quero abraçar
O amigo Santacruz:
Irmão gêmeo da Cultura,
Sol de sacrossanta luz;
Sua palavra é canção
Que toca no coração,
Nos revigora e seduz!
E agora, pra terminar
Esta sincera menção,
Eu falo, pra Jorge Sales,
Daqui acenando a mão:
− Mais uma vez o saúdo;
Muito obrigado, por tudo,
Parceiro e amigo-irmão!
E diga aí pra Tininha,
A cadelinha estelar,
Que nunca eu esquecerei
A sua imagem, o olhar…
Egídio nunca se engana:
-”Tininha pra ser humana
só falta mesmo falar!”.
À carismática Cíntia,
Secretária do Jorginho,
Que sempre nos recebeu
Com seu riso-passarinho,
Expresso, com distinção,
Nossa real gratidão
Pelo seu meigo carinho.
Se agora me perguntarem
Um estado de encanto,
Um estado de espírito,
Um santificado canto,
Um mui sacrossanto estado,
Um tanto, um quanto sagrado,
Direi: − Espírito Santo!
® RUBENIO MARCELO
——————————————-
VILA VELHA!… MINHA NOVA PAIXÃO
(Terra, Mar e Ar… e gente…)
21/01/2004
Rubenio Marcelo
Jorginho Ribeiro Sales,
Meu parceiro, meu irmão,
Obrigado novamente
Pela grã recepção;
Pelo calor-maravilha
Seu e de toda família,
Carinho e dedicação…
M a t e r i a l i z a ç ã o
d’amizades verdadeiras…
Fraternidade brotando
E avançando fronteiras…
Amplexos dos corações
Jorrando em mil borbotões
Quais águas nas cachoeiras…
Na vida na há barreiras
Para a nobre lealdade,
Nem distância que desfaça
Os laços duma amizade;
Inda mais, principalmente,
Quando os misteres da gente
São grãos de sinceridade.
Vila Velha!… Esta cidade,
Habita o meu coração;
Pois ali tem Jorge Sales
E toda a nossa nação
Da música, da poesia,
Da Arte do dia-a-dia
Num mesmo diapasão.
Barbosa Lima, Marcão,
Libardi e Paulo Ferraz,
Mara Veloso e Ceci
E também o Johnny Paz;
Gegê, que parece um anjo,
O Roger – rei do arranjo –
Batchá, que é outro ás…
Toda esta turma é demais!
Apronta e já pinta o sete…
Tem ainda a Lisitânia,
Augusto e também Marlete:
Esta, a alegria esbanja…
Mas quando for dar uma canja,
Não esqueça aquele lembrete…
E nesta festa, Marlete
Chama Augusto pra dançar…
Luiz Paulo e Jaqueline
E a Verinha com Tatá,
Vandinha com Johnny Paz,
A Cris com Paulo Ferraz
Também irão se soltar…
Cante “Terra, Mar e Ar”,
pra festa ficar legal;
Chame todos pro salão,
Convoque o bom pessoal
Pra animar mais o baile…
A Ângela com Jorge Sales,
E a Vera com Tojal.
Ó saudade matadeira
Que aperta esse coração…
Ó meus amigos do peito
Jorginho e toda nação…
Em mim reluz a centelha
sagrada de Vila Velha,
A minha nova paixão!
Se agora me perguntarem
Um estado de encanto,
Um estado de espírito,
Um santificado canto,
Um mui sacrossanto estado,
Um tanto, um quanto sagrado,
Direi: − Espírito Santo!
® RUBENIO MARCELO
Dos arquivos de Rubenio Marcelo - Parte II
14 de janeiro, 2009 © Publicado por Dani Lima
Sobre a primeira visita de Jorge Sales a Campo Grande em 2003
Cordéis-documentos que registram a primeira visita de Jorge Sales a Campo Grande/MS, terra de seu parceiro cultural Rubenio Marcelo. Como estas obras foram escritas nas datas constantes nos respectivos cordéis, retratam obviamente acontecimentos e pessoas/personagens da época.
Um grande poeta em Campo Grande (para o Amigo Jorge Sales)
20/02/2003
Rubenio Marcelo
Campo Grande esteve em festa,
Revestida de magia;
A Cultura e a amizade
Na mesma polifonia…
Pois, na luz dos arrebóis,
Orfeu mandou para nós
Jorge Sales Poesia!
Sua nobre simpatia
Conquistou nossos artistas;
Assim, em poucos instantes,
O seu falar altruísta
Fascinou o nosso ninho;
E, logo, o grande Jorginho
Já não era mais turista.
A cada sua entrevista
Aos amigos da Cultura,
Abriam-se corações
Pra essa grã criatura;
E na nossa Academia
Foi enorme a empatia,
Assaz o tom de ventura.
Berço da Literatura
- Esse nosso Silogeu -
saudou nosso convidado
E, em festa, o recebeu;
Destarte, as coisas seletas
Da nossa Casa de Letras,
Jorge Sales conheceu.
A sua luz foi troféu
Que Minerva nos mandou;
Pois o Jorginho é dos nossos,
Traz em si real pendor;
E, nessa descontração
De confraternização,
O carinho conquistou.
Ah… Jorginho Cantador,
Tudo correu rapidinho…
Mas a nata da Cultura
Inda está em burburinho;
Lembrando nossa canção
Que cantei, com emoção,
Aos acordes do meu pinho.
Nosso amigo Bernardinho,
Com sua voz de trovão,
Também ficou fascinado
Com nossa composição;
Ele que esteve ao meu lado,
Com seu plangente teclado
Em bela apresentação.
O Geraldo, nosso irmão,
Com Vandinha e o Jean:
Aquela bela família,
Hoje lhe tem como fã;
E toda a turma, afinal,
Hildebrando, Ruberval
E a Sônia Puxian.
Leal, nosso presidente,
E toda a Diretoria,
São gratos, de coração,
Pela vital energia
Que você fez verberar
Aqui no nosso lugar,
Com transcendente alquimia.
Que a Altíssima Maria,
Lá da sagrada amplidão,
Proteja pra sempre os seus
E você – meu caro irmão!
Ó menestrel da Harmonia,
Jorge Sales Poesia,
Cantador da Emoção!
® RUBENIO MARCELO
……………………………………………………..
Eu e o Destino dos Ventos em Campo Grande
26/02/2003
Jorge Sales
Afirmo que o meu país
Conheço de ponta a ponta
Visitei tantas cidades
Que até já perdi a conta
Mas Campo Grande, querida,
Seu povo é cheio de vida
Que a ninguém desaponta.
Fui a esta capital
Pra posse da diretoria
Da Academia de Letras
Para mim grande honraria
No mais belo dos eventos
Fui com o Destino dos Ventos
Pra ver Rubenio e poesia…
No dia que lá cheguei
Rubenio foi me esperar
Ele e o Mestre Hildebrando
Historiador do lugar
Falou-me de Inocência
Fez-me esta deferência
E tinha muito a contar…
Cheguei ao lar de Rubenio
Mais ou menos em meia hora
Lá, um churrasco pra mim
Veio logo sem demora;
Da varanda: bela vista
Geraldo Ramon, sonetista,
E a viola canta e chora …
Tinha o Adir Guimarães
Tirando o mais belo som
Vi nele fiel amigo
Notei que é um homem bom;
Dona Vanda e o Jean
Receberam-me com afã
E ninguém saiu do tom.
Conheci o Ruberval
O grande rei do repente
Faz um verso bem bonito
Tem estilo diferente.
Com o Rubenio no pinho
E o tenor Bernardinho
Com seu teclado plangente…
Eu agradeço ao bom Deus
Por estes belos momentos
Pelo amor que reinou
Em puros contentamentos…
Obrigado companheiro:
Rubenio, grande parceiro,
Pelo “Destino dos Ventos”…
Foi nobre a posse solene
E a parte cultural
Da Diretoria Acadêmica
Do presidente Leal;
O Reginaldo é o vice
E Rubenio, se não disse,
É o Secretário–Geral.
Meu carinho à Puxian,
Outra desta grande lista;
E também a Lucilene,
A nossa grande cronista;
Ao professor Reginaldo
Mando um abraço apertado,
Não vou perdê-los de vista.
Quem eu vi também por lá
Foi o Edson jogador
Gaúcho bom de churrasco
Mostrou ser bom assador
Outro que também eu vi
Foi Doni Sapucay,
Sua gravadora é primor.
Rômulo, Ronney, Mazé
São os meus novos amores…
Envio-lhes com carinho
As mais perfumadas flores.
Agradeço ao bom Jesus
Por estes focos de luz
Matizados em mil cores.
Ao presidente Leal
E a toda Diretoria
Agradeço de coração
Pela sua simpatia
Por este momento mágico
E o modo democrático
De gerir a Academia.
Senti enorme emoção
Na festa da Academia,
Vendo Rubenio e Bernardes
Naquela grande harmonia…
Cantarolar sentimentos
Belo destino dos ventos,
Cantavam minha poesia…
Depois deste grande evento
Fomos pra pizzaria
Perto do shopping central
E prosseguiu a alegria…
Mais tarde, com emoção,
Embarquei num avião
Numa madrugada fria…
® JORGE SALES
Dos arquivos de Rubenio Marcelo - Parte 1
7 de janeiro, 2009 © Publicado por Dani Lima
Sobre a primeira saudação entre os parceiros Jorge e Rubenio
Cordéis-documentos que registram a primeira saudação de Rubenio Marcelo para Jorge Sales (2002) e a respectiva resposta de Jorge.
(como estas obras foram escritas nas datas constantes nos respectivos cordéis, retratam obviamente acontecimentos e pessoas/personagens da época)
PERFIL DO POETA JORGE RIBEIRO SALES
por Rubenio Marcelo
10/10/2002
“Com seu matiz multicor,
O bem sempre ofusca os males”…
Já dizia o meu avô
Lá para as bandas de Jales.
Assim, eu posso dizer:
- Afasto a tristeza ao ler
Jorginho Ribeiro Sales.
Nascido no Maranhão,
O nosso Jorge Ribeiro
Mudou-se ainda pequeno
Para o Rio de Janeiro.
Atualmente, no entanto,
Mora no Espírito Santo,
Belo Estado brasileiro.
Tenho, com esse parceiro,
Coincidências, diria:
Nossa origem nordestina
E a veia pra poesia;
Além da mistura fática
Das Letras com Matemática
E a nossa Engenharia.
Foi muito grande alegria
Que tive ao conversar
Com esse poeta altivo,
Que é mestre no improvisar;
Genuíno Menestrel
E cultivador fiel
Da Cultura Popular.
Reside na beira-mar
Esse Jogral/Auditor;
Geômetra da essência,
Gigante Adamastor;
Adorna os seus teoremas
Com versos e cantilenas…
É, da palavra, escultor!
O seu gênio criador
Relembra irmãos-de-artes,
Que também traziam números
E poesia em encartes…
A verve do seu afã
Recorda Malba Tahan,
Blaise Pascal e Descartes.
Sua pureza, destarte,
Denota a sublimação
E os desígnios fraternos
Que emanam do coração;
Sua sensibilidade,
E sua grã lealdade,
Mostram sua cosmovisão.
O meu abraço em canção
Envio-lhe neste instante,
Com grande admiração
E emoção radiante…
Pra terminar, eu lhe digo,
Saiba que tem um amigo
Nessa paragem distante.
Mas diga aí pro Leão,
- Esse da garra ferina -
Que nunca lembre de mim,
Vá farejar outra sina;
Pois o Poeta é qual ave:
Não pode sofrer entrave
De malha grosseira ou fina!
Estou brincando, na rima,
Poeta Jorge, meu irmão.
Receba aí meu amplexo
Com fraternal vibração.
Que sempre, no seu caminho,
O Cordel seja seu vinho
E a Poesia o seu pão!
® RUBENIO MARCELO
10/10/2002
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AGRADECENDO AO AMIGO RUBENIO MARCELO
Por Jorge Sales
10/10/2002
Rubenio, meu grande amigo,
Quase morri de emoção
Senti-me lisonjeado
Com o teu cordel canção
Isto vindo de você
Foi demais e pode crer
Alegrou meu coração
À minha vida deu cores
Coloriu com muitos tons
Com beleza e com requinte
Com humildade dos bons
Imprimir tua poesia
Divulguei minha alegria
Por todos estes rincões
Saiba poeta Rubenio
Irmão fraterno parceiro
Jamais vou isto esquecer
Amigo é mais que dinheiro
E tens aqui neste Estado
Mais que um grande aliado
Um eterno companheiro.
Me fazendo esta homenagem
Criou problema pra “eu”
Li ontem e hoje respondo
Depois que a Usina leu
Teu cordel foi de cinema
E eu fiquei num dilema
Como fazer igual ao teu.
Quanto ao leão da Receita
Ele não faz nenhum mal
Quanto mais para você
Homem de bem e afinal
O leão nunca se engana
Não vais morrer numa grana
Por que tu és imortal!
® JORGE SALES
10/10/2002
Mais fotos de Jorge e Rubenio
7 de janeiro, 2009 © Publicado por Dani Lima
Rubenio Marcelo me enviou mais algumas fotos de seu arquivo pessoal. Seguem abaixo para matarmos as saudades:

Rubenio Marcelo, Jorge Sales e Geraldo Ramon - os autores da música Almas em Chamas - grande sucesso da parceria Rubenio - Jorge

Rubenio Marcelo, Geraldo Ramon, Reginaldo e Jorge Sales - em evento cultural de Campo Grande

Jorge Sales e Rubenio Marcelo - juntos compuseram mais de 150 músicas


