Sonho imprevisível

31 de maio, 2007 © Publicado por Jorge Sales

Jorge Sales e Denise Dalmacchio | canta: Denise Dalmacchio
Ouça a música:

Sonhei que tinha sonhado
Um sonho imprevisível
Nele podia voar
Ir a qualquer lugar
De forma quase invisível

Procurando o teu convívio
Com fome do teu carinho
De modo quase perfeito
A sorrir e a cantar
Aportei-me nos teus braços
Adormeci no teu peito
Pra nunca mais acordar

Ancorado no teu colo
Mesmo estando adormecido
E apesar de não te ver
Sussurrei no teu ouvido
Agradecido aos deuses
Por ter sonhado contigo

O vento então se calou
O mar cessou seu rugido
A estrela se apagou
Eu fiquei embevecido
Quando um abraço silente
Selou o encontro da gente

Dama de preto

30 de maio, 2007 © Publicado por Jorge Sales

Quero ,mas não tento
Tento ,mas não tanto
Às vezes penso,fora
Dentro,às vezes penso
E eu que lhe quero tanto
Qual será o meu intento?
Fora ou dentro

Sozinho falo
Calo e se conto
Aumento um ponto
Tento e no entanto
Você se veste de Zorro
E eu é que fico tonto

Jorge Sales

Soneto do amor que se foi

28 de maio, 2007 © Publicado por Herculano

Preciso te contar dessa saudade,
que hoje encarde nossos travesseiros.
Já nem me lembro mais quantos janeiros
eu sinto o sabor da eternidade.

A rosa murcha da fidelidade,
sem piedade, grassa na lembrança;
Exala o cheiro da desconfiança
que se mistura ao da sinceridade.

Foi tanto amor, que até deu piedade
fosse perdido, junto à tempestade,
nos ventos outonais daquele dia.

Resta à paixão morrer na primavera,
pra terminar a dor da triste espera
do beijo que morreu e não sabia.

Amada lua

28 de maio, 2007 © Publicado por Astenio Cesar

Amada lua 

Quero vê-la, 

Somente vê-la, 

- Diamante azul - 

No meu sonho. 

 

Porque ao vê-la, 

- Meu olhar 

Nos olhos teus - 

Envolve-nos. 

 

Quero ouvi-la, 

Só ouvi-la, 

- Sensual rouxinol - 

A embalar o sonho. 

 

Abraço novo tempo 

E, creia lhe tenho, 

- Nessa doçura - 

Comigo, geminada. 

 

Ao ouvi-la e vê-la, 

Pouco dizer-lhe, 

- Muito pouco - 

Ou quase nada. 

Minha casa de ferreiro não tem espeto de pau

27 de maio, 2007 © Publicado por Dani Lima


Vocês se lembram da música da parceiria Jorge Sales e Rogerinho Borges que foi classificada para o Primeiro Festival da Canção de Vila Velha? Pois bem, na época, em virtude das regras do Festival não podíamos publicar a música aqui. Mas agora que o Festival passou, ouçam o delicioso forró “Minha casa de ferreiro não tem espeto de pau” cantada por Rogerinho Borges! :)

Nunca levo desaforo pro meu lar
Minha vida hoje é um livro aberto
Tenho oásis que habitam meu deserto
Nunca ando mais pra lá do que pra cá.
Sempre sei o novo passo que vou dar
Meu sol brilha e isso é um bom sinal
Sou do bem muito mais do que do mal
Na seresta viro logo seresteiro
Fotografo teu sorriso lisonjeiro
Minha casa de ferreiro não tem espeto de pau.

Eu sei bem o que é melhor pra minha vida
Engoli sapo e com isso aprendi
Não intrigo e nem gosto de um tititi
Aos amigos sempre dou boa guarida.
Minha estrada vejo que é bela avenida
No começo bem no meio ou no final
Só se vive uma vez e afinal
Meu destino é viver como um guerreiro
Fotografo teu sorriso lisonjeiro
Minha casa de ferreiro não tem espeto de pau.

Sina poética

27 de maio, 2007 © Publicado por Herculano

De Bocage a sátira ferina!…
De Pessoa a alma lusitana!…
De Augusto o fel, a dor, o drama!…
E, da musa, a forma mais divina!

Assim está escrita a minha sina
desde minha primeira poesia.
Assim hei de viver todos meus dias
até que venha a morte, assassina,

cobrar-me o pedágio desta vida.
E, finalmente, à hora da partida,
quando Pessoa, Augusto e Bocage,

braços abertos, derem boas vindas;
nos seios nus de minha musa linda
eu vou fazer a última viagem

Jorge

27 de maio, 2007 © Publicado por Herculano

Jamais pensei na vida algum dia
Ouvir o coração de um poeta
Ruflar a sua bulha mais secreta,
Guardada na moção da poesia,
Enquanto Deus deixava a porta aberta.
Salve, Poeta! Salve, bom amigo!…
Aperta-me, com força, a minha mão!
Leva contigo um pouco de emoção
E quase tudo aquilo que consigo
Sentir ao auscultar teu coração.

Capitulação

26 de maio, 2007 © Publicado por Herculano


Nossa sociedade decadente…
aos poucos se arruína na espurcícia
da ética servil e fictícia,
que faz um verme invejar a gente,

Tornou-se uma corja delinquente
no rastro apagado da justiça;
um monte de cabeças submissas,
em servidão total e permanente…

Que vai… a aplaudir incompetentes…
nevegando no lixo das enchentes
desembocar num mar que já morreu.

Que morra o futuro no presente!
Assim não restará uma semente
pra germinar omissos como eu!

Pintando versos

26 de maio, 2007 © Publicado por Herculano

Herculano Alencar

Se fosse nessa vida o que queria,
seria a própria alma do pintor!
Não sei se alma tem alguma cor,
mas essa alma alguma cor teria:

Matiz de paz, amor e poesia
num arco-íris vivo, uma aquarela…
E assim, teria eu, alma tão bela,
que, de tão bela, nunca morreria.

Mas se a morte fosse uma pintura,
decerto ela própria deixaria
a minha alma presa na textura

até virar pintor, como eu queria.
Mas, por não ser pintor, à essa altura
faço das letras minha alegoria.

Oração

24 de maio, 2007 © Publicado por Jorge Sales


 
Oro uma oração de ninar
Como se fosse cantiga

Decoro uma reza para orar
Como se eu fosse da antiga

Oro como quem declama uma poesia
Oro como quem compõe uma sinfonia

Oro em forma de canção
Tomara escute  a oração

Oro pensando em você que me encanta
Me aprisiona e me enlaça
Oro como se você fosse santa
E que me conceda esta graça

Jorge Sales

A gente ama

23 de maio, 2007 © Publicado por Jorge Sales

A gente ama.
A gente é drama.
A gente mima.
A gente trama.
A gente rima.
A gente é gana.
A gente engana.
A gente esgana.
A gente é chama.
A gente gama.
A gente teima,
reclama.
A gente inflama.
A gente rema.
A gente clama.
A gente é tema.
A gente é flama.
A gente é cena.
A gente é cama.
A gente encena.
A gente infama.
A gente emana.
A gente tem boca,
e vai a Roma.

Jorge Sales.

Cordel para a minha família

22 de maio, 2007 © Publicado por Dani Lima

Uma mãe bem criativa,
Pai que é bem letrado,
à todos na familia
um talento foi dado.
Não posso negar, somos
um clã presenteado.

a história começa
nos tempos da minha vó
que sabia tantos versos
na cabeça dava nó
ela sempre declamava
na rua num fôlego só

Já minha outra avó
tem um dom diferente
na cozinha apronta
de um tudo pra gente
pratos deliciosos
saem do forno quente

Meu tio-avô fazia tudo
desenhava, escrevia.
me escreveu mil cartas
que eu sempre respondia
desenhou os tijolos
que vemos hoje em dia

a irmã da minha mãe
que também foi minha tia
era bem criativa
montava bijouteria
pintava, costurava
artesã, tudo fazia

Mamãe é de inventar
sempre cria novidade
nas festas de criança
com versatilidade
fazia lindos enfeites
pura felicidade

Mas Já o dom do meu pai
é de um tipo bem raro
ele sabe fazer rir
(só quando quer é claro)
se precisa ser sério
temos sim, seu amparo

Minha irmã caçula
é bem inteligente
mas o que faz de melhor
ela faz por trás da lente
tira belos retratos
do céu, do mar, de gente

e quanto à mim, meu dom
virou minha profissão
sei criar e vivo disso
design é minha paixão
só posso agradecer
por meu dom da criação

Madeira de dá em doido

22 de maio, 2007 © Publicado por Jorge Sales

A primeira gravação da mais nova música de Jorge Sales em parceria com Denise Dalmacchio.
Ouça a música | Canta: Denise Dalmacchio

Eu sempre sei o que sou
Desde sempre e antigamente
De mim não sou divergente
Sempre acreditei no amor
Madeira de dá em doido 
Eu sou madeira-de-lei 
Sou forte, sou resistente  
Sempre sou independente 
Foi assim que me criei

Eu sempre sei o que sou
Penso assim sempre e agora
Tristeza chega vou embora
Nada mais vale que o amor
Eu nunca aceito agressão
Mas não sou valente não
Seja do jeito que for
Agindo deste maneira 
Aí banco o pau-pereira 
E não estimulo o agressor.

Meu coração e o teu

21 de maio, 2007 © Publicado por Jorge Sales

Hoje pensando em ti,
relembrando alguns momentos
pensei nos meus sentimentos,
parecidos com os teus.
Compare o teu coração
com o meu.
O meu,
sede de minha consciência,
é dono de minha emoção.
O teu,
se a ti causa tristeza,
logo o meu fica na mão.
O meu,
Coração que fez de tudo,
sobretudo ele vai fundo,
do fundo do coração.
O teu,
ocupa meus pensamentos
com ritmados movimentos
a que está acostumado.
O meu,
procura a menor distância
para ir ao encontro do teu.
O teu,
não bastasse bombear teu sangue,
agora quer bambear o meu.

JorgeSales

Café Caliente

18 de maio, 2007 © Publicado por Jorge Sales

O bom hábito se adquire
A partir de observações
Dá a gente qualidade
E agradáveis sensações
É bom para nossa lida
Vai melhorar nossa vida
Em todas as direções

Veja o café, por exemplo,
O hábito de todos os dias
Ele evita a depressão
Afasta toda apatia
Tem um sabor agradável
E de forma admirável
Recarrega a energia

Se você está com um problema
Seja um problema qualquer
Não fique desiludido
Amigo não perca a fé
Digo sem tirar nem por
Seja do jeito que for
Vai lhe ajudar o café

A névoa mágica do café
Quando o nosso olfato alcança
Não é fácil resistir
Aí a gente se lança
Em busca de algum deleite
E um bom café com leite
Renova nossa esperança

O café age na gente
De formas especiais
Durante a torra adequada
Forma produtos geniais
Do álcool inibe o desejo
E aumenta muito o pejo
De consumir drogas ilegais

Café é bom pro atleta
Em qualquer situação
Quem o consome normalmente
Faz bem para o coração
Melhora a capacidade
Para falar a verdade
É bom pra competição

No grão de café, minerais
Encontra-se muito fácil
Magnésio, o sódio, o ferro
Manganês, rubídio, cálcio
O cobre, o estrôncio, o cádmio
O cromo, o níquel, o vanádio
Bário, titânio, o potássio.

Tem vários aminoácidos
Alanina, arginina, glicina
Asparagina, ácido glutâmico
Cisteina, histidina, serina
Isoleucina, lisina pra variar
Metionina, prolina pra completar
Treonina, tirosina e valina.

Contém também vitaminas
Frutose, polissacarídeos
Vitamina do complexo B
Glicose, triglicérideos
No grão de café ainda acho
Maltose, ácidos graxos…
E vários outros lipídeos

O aroma do café
É de um gostoso sem par
Nos transporta simplesmente
Ao ambiente familiar
Do fundo do coração
A gente tem a impressão
Do aconchego do lar

O café não é só cafeína
Tem outros ingredientes
Torna as pessoas mais calmas
E bem mais inteligentes
E que todas sejam bem-vindas
Ao nosso “Café Caliente”.

Jorge Sales(2007)