Dopia Veduta

29 de julho, 2007 © Publicado por Eliane Guaraldo

Nuvem diáfana como o tenho visto
 Dopia Veduta
despido de sorrisos de jornal diário
Desvendo sonhos
- eu não sou sonhos. 
Despisto um “todo dia” previsível
risível, que não satisfaz.
nu vens: fantasia real
o que está ao meu redor.
Não vendo ofereço te mostro
Dôo-te, encosto, gosto do que vejo
o que sinto na face e - pior-
a tua verdade de imagem
indumentada de realidade.

De Vida

29 de julho, 2007 © Publicado por Eliane Guaraldo

Meu caminho de pedra não foi pisado pelas tuas sandálias.
Já que era de nuvens a nossa estrada desenhada com esmero.
sem peso nos pés, na porta da eternidade, repletos de por-vires.
Logo à frente havia por viver enredadas maglias.
Labirintos fantásticos que chamamos de destino
Dentro perdi a noção do tempo. Já não importa mais.
Subestimei a dor como exagero de emoção.
Hoje tenho os olhos abertos e nascente esperança
como criança no ventre- uma vida por fazer.
Agora que há leite abundante e boca que alimentar
Em contra todas as evidências  
a vida teima e resiste dentro de mim.

Marrom

24 de julho, 2007 © Publicado por Jorge Sales

canta: Fabiana Barreto

A tua voz cala,
cala dentro
A tua voz fala,
fala fundo
A tua voz encanta,
canta

Vai cantar pro mundo
canta em todos os lugares
no bem maior dos cantares
és estrela como antares

Canta o bumba meu boi,
canta o teu Maranhão,
canta casa das minas.

São José de Ribamar,
canta em festa são joão,
canta a beleza de algum lugar,
canta menina

Vai, esnoba,
canta o boi da maioba.
os filhos de madredeus,
meu deus

com toda a tua emoção,
a fonte do ribeirão,
alegra o meu coração,
canta em alto e bom som

Deus não só te deu o dom
bom te ouvir qualquer tom
no azul, vermelho
e na verde rosa
canta Marrom

O Amigo

20 de julho, 2007 © Publicado por Rogério Borges

“Republico este lindo escrito do meu parceiro Jorge Sales, que se transformou em uma bela toada, para comemorar o Dia do Amigo”

O amigo a gente guarda no peito
É assim que falava uma canção
A amizade é sentimento de afeição
E o carinho será sempre o seu efeito
O amigo a gente trata com respeito
A amizade é o antídoto da briga
A lealdade é o sustento a sua viga
E com atenção a amizade se renova
Não merece uma amizade nova
Quem esquece uma amizade antiga

A amizade oh que belo sentimento
Quem a consegue viverá sempre feliz
Eu tenho sorte pelos amigos que fiz
E a confiança é também seu elemento
Quem tem amigos já afasta o desalento
A amizade não se empurra com barriga
É uma canção, um lindo som, uma cantiga.
O grande amigo o coração nunca reprova
Não merece uma amizade nova
Quem esquece uma amizade antiga

A verdadeira amizade não se esquece
É uma luz a iluminar nosso destino
É uma lição de Jesus o Deus menino
Um prêmio bom e só a ganha quem merece
Que vive em nós eternamente, não fenece.
Ela é terna, é muito linda, é nossa liga.
Afasta o tédio, a confusão e a intriga.
Pra ser amigo não se precisa de prova
Não merece uma amizade nova
Que esquece uma amizade antiga

Eu nunca esqueço um amigo do passado
É importante, é parte de minha história.
O amigo eu guardo sempre na memória
E eu me sinto assim por Deus abençoado
Eu louvo a Deus por ter me agraciado
Com os amigos que passaram em minha vida
Se me procuram, o coração todos abriga.
Minha amizade em todo dia se renova
Não merece uma amizade nova
Quem esquece uma amizade antiga

Jorge Sales

Regras da Gr(ama)tica

6 de julho, 2007 © Publicado por Dani Lima

Amar se conjuga como o verbo errar
(Eu amo, eu erro)

Vemos sempre o mesmo sujeito,
a conjugar ambos os verbos:
(Ele ama, ele erra.)

E no caso de um sujeito
conjugar o verbo errar
(Eu erro)
O outro sujeito deve
conjugar o verbo perdoar
(Eu perdôo)

Só assim, ambos os sujeitos podem
continuar conjugando o verbo amar
(nós nos amamamos)

amor e saudade

5 de julho, 2007 © Publicado por edimoginot

amor e saudade

o amor é tão forte e tão vivo
que transcende a vontade do ser
pois se morre, renasce mais vivo
e transforma a vida em viver

a saudade é que às vezes nos leva
a lugares onde não se quer ir
sentimentos envoltos em trevas
que ainda tem o dom de iludir

Domingos Martins

5 de julho, 2007 © Publicado por Jorge Sales

Uma homenagem à linda cidade de Domingos Martins no Espírito Santo
Música: Jorge Sales e Barbosa Lima | Canta: Barbosa Lima
Ouça a música:

Tem simplicidade, muita beleza,
a tranqüilidade da natureza,
Cidade do verde, das orquídeas,
das bromélias, dos ingás,
das geléias de banana,
teus maracujás…

O teu frio aquece o coração
No inverno és uma linda canção
Já foste santa e o que é melhor,
para a minha alegria,
do Caparaó hoje és rainha

Cidade do verde,
de um povo amigo,
teu vento frio,
Silente, mexeu comigo

Ninguém resiste ao teu encanto
Domingos Martins do Espírito Santo

Sonho sonhado

5 de julho, 2007 © Publicado por Jorge Sales

Se não consigo dormir
Invente uma canção de ninar
Cante-a prá mim devagar
Como se eu fosse criança
Devolva aquela esperança
Que cheguei a ter um dia
De ficar junto a teu lado
Depois de um sonho sonhado
Te recitar poesias

Mas,se eu dormir muito tempo
Depois da noite de amor
Cubra-me com teus pensamentos
Lance em mim teu fulgor
Quero acordar de manhã
Te abraçar com afã
Todo faceiro e risonho
Descobrir que não era sonho
E como fosse teu amado
Viver um sonho acordado.

Jorge Sales

Menino Poeta

3 de julho, 2007 © Publicado por Andrea Motta

Menino poeta
Andréa Motta

  • dedicado a Astenio Cesar Fernandes, poeta Paraibano 

Tens os olhos da alma
p’ra voar ao infinito
alcançar a liberdade
de ser ti mesmo

Sonha poeta sonha
que os sonhos
nunca nos são furtados

Voa poeta voa
na velocidade do pensamento
p’ra desvendar teus mistérios

Grita poeta grita
todos os teus males
p’ra arrancar do peito
As raizes tramadas.
Ama poeta ama
descortina o intelecto

abriga-te no vôo do Condor
p’ra que tuas palavras
(reflexos de ti mesmo)
Sejam sempre livres.

Publicado na Antologia Poesia do Brasil, Vol. 3. Ed. 2006.

Viagens

2 de julho, 2007 © Publicado por Jorge Sales

Música: Jorge Sales e Rubenio Marcelo | Canta: Airton Lopes
Ouça a música:

Já viajei  tantas terras
Andei por todas cidades
Já levei deixei saudades
Percorri país afora
Nos mais distantes rincões
Andei mundo ponta a ponta
Destilei mil corações
No entanto só agora (Bis)
Disso tudo me dou conta

Já passei por tanto mato
Percorri tantas estradas
Vasculhei tantas vielas
Vivi cores, aquarelas…
Que até perdi a conta
No entanto só agora
Disso tudo me dou conta

Montei em tanto cavalo
Andei de trem e de carro
Várias vezes fiz de conta
Neste mundo de meu  Deus
Vivi noites , vivi dias
Visitei tantos amigos
Que a muito eu não via
Fui valente eu fui rei
No entanto só agora
Finalmente te encontrei
Eu te encontrei…

Arauto

2 de julho, 2007 © Publicado por Jorge Sales

Quem me dera

ser teu anjo.

Teu arcanjo.

Quem me dera

ser um intruso,

pro teu uso.

Quem me dera

ser tua poesia,

tua estória,

tua harmonia,

tua memória,

teu senhor.

Quem me dera

aqui na terra,

ser o Arauto,

não da guerra ,

mas do amor.

Meu olhar

1 de julho, 2007 © Publicado por Astenio Cesar

Quero esse meu ver desordenado
Sem prisão e sem inteligência
Na visão de um ser apaixonado,
Gozar a suprema inconsciência.

Viver os sentidos, anestesiado,
Inadequado à ordem da ciência;
Delirando num mundo encantado
Desnudar o mito, na incoerência.

Pois só assim a tal felicidade,
No dilema de mentira e verdade
Ter traduzida em voz ao coração.

Então, por fim, perdendo o medo,
Poder desvendar grande segredo
Na luta dos sentidos com a razão.