Tempo e Compasso

26 de fevereiro, 2008 © Publicado por Jorge Sales

Letra: Jorge Sales | Música: Denise Dalmacchio | Canta: Denise Dalmacchio
Ouça a música

Ouça a música que faço
Com carinho doe seu tempo
Ouça-a inteira ou por pedaço
Mas ouça sem contratempo

Escute o ritmo que traço
Dê no momento exato o tempo
Que vou cantar no compasso
Nos dós e mis que contemplo

Canto a canção sem embaraço
Com belo som passo a passo
A Música não é passatempo

Acaricie o violão no seu braço
Pra música ache o seu espaço
O seu lugar o seu templo

Por Jorge Sales

Grau superlativo absoluto

26 de fevereiro, 2008 © Publicado por Henrique Corrêa

É agradabilíssima!
Simplíssima ou simplicíssima…
E simílima ao humílimo sentimento felicíssimo.
Fidelíssima aos costumes,
Elegantíssima!
Docílima e dulcíssima!
Ela. Amabilíssima!
Comuníssimo pensar que sou capacíssimo de tê-la!
Mas dificílimo de ser amicíssimo.
Quanto mais amaríssimo…
Mas ela escolheu grácilmente meu íntimo,
sapientíssima.

José Lemos, nordestino, meu amigo, meu irmão

20 de fevereiro, 2008 © Publicado por Jorge Sales

Este é um Cordel Especial, em homenagem a José Lemos, meu conterrâneo, amigo e irmão. Conheça abaixo um pouco mais sobre sua vida e depois leia sua história em forma de Cordel.

José de Jesus Sousa Lemos ou, simplesmente, José Lemos. Nascido Maranhense no Povoado de Paricatiua que está situado em Bequimão, um dos municípios mais carentes do Brasil e talvez do planeta. Aos oito meses, foi para São Luis com os pais - agricultores sem terra, que buscavam melhores dias como tantos nordestinos. 

Fez o Primário no Grupo Escolar Almeida Oliveira. Ginásio e Cientifico no tradicional Liceu Maranhense. Formou-se em Engenharia Agronômica pela Faculdade de Ciências Agrárias do Pará, atual Universidade Federal Rural da Amazônia. Tem Mestrado e Doutorado em Economia Rural e Pós-Doutorado em Economia dos Recursos Naturais na Universidade da Califórnia, USA.

Foi pesquisador da EMBRAPA, Professor Assistente na Universidade Federal da Paraíba, Professor Visitante na Universidade da Califórnia e Professor Visitante na Universidade Estadual do Maranhão, São Luis. Desde 1984 é Professor Associado na Universidade Federal do Ceará. 

Tem muitos artigos científicos publicados e apresentados no Brasil e no exterior. É orientador e membro de Bancas de Dissertações e Teses. Publicou dois livros. Um deles, “Mapa da Exclusão Social: Radiografia de Um País Assimetricamente Pobre” editado em maio de 2005 pelo Banco do Nordeste do Brasil, encontra-se com edição esgotada. Sua segunda edição Revisada e Atualizada está em vias de publicação. Também escreveu cinco capítulos para outros livros.

Escreve semanalmente para o Jornal “O Imparcial” de São Luis e esporadicamente para jornais de Fortaleza e de outras cidades brasileiras. Foi Secretário de Estado de Assuntos Estratégicos e Secretário de Estado de Agricultura do Maranhão entre março de 2005 e dezembro de 2006.

É apaixonado pela natureza, pelo Ceará e pela sua terra: Maranhão, foco de suas atenções como pesquisador, pois nunca se esqueceu de suas raízes.

José Lemos nordestino
Nascido em Bequimão
Um pequeno município
Lá do nosso Maranhão
Na infância nosso herói
Penso nisso ,isso me dói
Passou fome no sertão

Dona Amélia e Domingos
Os pais do nosso José
Mudaram prá capital
Fizeram com muita fé
Atrás de oportunidade
Um emprego na cidade
E seja o que Deus quiser

Chegaram em São Luís
Nem tinham aonde morar
Com uma frase,um repente
Pior não pode ficar
Moraram um tempo na rua
Viveram a mercê da lua
Torcendo prá melhorar

Dona Epifânia alma boa
Vendo aquela situação
Lhes ofereceu sua casa
Fez isso de coração
A partir daquele dia
Aumentou sua família
Só se faz isso com irmão

Era uma casa pequena
No Caminho da Boiada
Na casinha de um quarto
Morou a troco de nada
Jorge ,Nelma,Amélia ,José
Liquinha,Epifânia,Dedé
Ribeirinho e sua amada

Tinha ainda o Domingos
Que era o pai de José
Além disso Seu Teodoro
Lurdinha e a Nazaré
Todos dormiam em rede
Na água matavam a sede
E não faltava o café

Havia naquela época
Nem sei se vou me lembrar
Uns programas de auditório
Lá na Rádio Ribamar
Tipo responda se souber
Ou outro nome qualquer
O sucesso do lugar

José ia aos domingos
Com toda rapaziada
Assistir a estes programas
Estava sem fazer nada
Lembro como se fosse agora
Responde a tudo na hora
E ganha uma abacatada

Abacatada prá quem não sabe
É vitamina de abacate
Quem toma esta iguaria
Não tem cristão que lhe mate
Recupera a energia
Dá um pouquinho de azia
Mas tem o pão de arremate

José pediu prá mamãe
Deixar eu ir na empreitada
Pegar o prêmio na feira
Que ganhou na domingada
Chegando lá no mercado
Demos o nosso recado
Tomamos a abacatada

Aquilo prá nós era o máximo
Era o almoço do dia
Voltamos prá casa alegres
Sem ter a pança vazia
E prá falar a verdade
Digo com sinceridade
Eu era feliz ,não sabia

Aí vim embora pro Rio
Papai mandou me buscar
José ficou no Maranhão
Junto com a turma de lá
Me despedi do amigo
Pensei sozinho comigo
Um dia ainda vou voltar

A vida então foi passando
José com muito esforço
Até sem saber o porquê
Pelo estudo criou gosto
E veja o que aconteceu
Estudou lá no Liceu
Não nasceu prá dá desgosto

O tempo agora era outro
Chegou o vestibular
José Lemos quem diria
Foi prás bandas do Pará
Entre tantos maranhenses
Outros tantos paraenses
Conseguiu se aprovar

Foi morar numa república
Lá no bairro dos Canudos
Estava muito feliz
Achava graça de tudo
Tirava os trotes de letra
A vida estava perfeita
Passou a se achar sortudo

A rota da faculdade
Era beleza sem par
Com palmeiras de dendê
Se vê tudo no lugar
Repleta de seringais
Tinha lindos pimentais
E uns pés de guaraná

Às vezes batia saudades
Lá de sua São Luís
Cidade agora distante
Bem longe de seu nariz
Mas carregava o seu sonho
O seu futuro risonho
E a vida que sempre quis

Recebeu então uma grana
Comprou calça Farwest
O dinheiro era da Bolsa
Ele agora é quem se veste
No Condor e no Shangrilá
Mocinhas doidas prá amar
Foi o seu primeiro teste

Belém que bela cidade
Só não gosta quem não quer
Quem não se lembra dos cines
Palácio , Olímpia e o Nazareth
As horas eram agradáveis
Com os filmes memoráveis
De um Domingo qualquer

José Lemos se formou
Formou-se em Agronomia
Foi para São Luís
Vê quem a muito não via
Em quinze dias somente
Foi tempo suficiente
Prá engravidar a Maria

Assumiu o primeiro emprego
Na cidade de Altamira
Já é homem independente
De todo jeito se vira
Recebeu carta sofrida
De sua mãezinha querida
Que morava na Belira

Filhinho que qui cê fez ?
Fale a verdade meu bem
Responda prá sua mãe
O que aprendeste em Belém?
Estava em letras garrafais
Que José ia ser papai
Maria espera um neném

Dona Amélia gente honesta
Deu em José um ultimato
Venha já prá São Luís
Seja um homem de fato
Maria moça direita
Não pode ser mãe solteira
Era assim seu relato

José falou com seu chefe
Pegou a mala e partiu
Casou com a sua amada
Lá na igreja do Anil
Para dizer a verdade
José era a felicidade
Em pleno mês de Abril

Ele José de Jesus
Ela Maria José
Em nomes assim pomposos
Todo mundo bota fé
Foi um belo matrimônio
Com a bênção de Santo Antônio
E Jesus de Nazaré

José Lemos começava
Sua vida profissional
Primeiro foi a EMBRAPA
Trabalhar nunca fez mal
E prá fazer o Mestrado
Mudou-se prá outro estado
Que coisa sensacional

A viagem a Porto Alegre
Aqui quero descrever
Foi feita em um fusquinha
Vocês vão pagar prá ver
Partiram os quatro de Belém
José, Maria ,um neném
E um outro por nascer

Além desses passageiros
Tinha tralhas de montão
Panelas , rede , penico
Um bicho de estimação
Uns pedaços de madeira
Havia pano , uma esteira
E o coração na mão

José de Jesus Lemos
Fez mestrado com louvor
Ai veio a Paraíba
Onde foi ser professor
Mestre na Universidade
Apesar da pouca idade
Partiu para ser doutor

Doutorado na Austrália
Prá ele o céu é o limite
José falando outra língua
Me emociona ,acredite
Parabéns doutor José
Acredite se quiser
Chegavam então os convites

José recebe convites
Até prá Scientific Tour
Rio , Viçosa ,Costa Rica
E à Coréia do Sul
E ai prá sua glória
Deu aula na Califórnia
O planeta Terra é azul

José fez pós-doutorado
Lá na América do Norte
Ensinou outros Josés
A melhorar sua “sorte”
Começou em São Luís
Até hoje é um aprendiz
Um homem de grande porte

Hoje ele tem cinco filhos
Não podia ser melhor
Gustavo, Ana Lúcia ,Marcelo
Christiane é a maior
E prá melhorar sua sina
Ganhou um anjo(Ana Carolina)
Que vem a ser seu xodó

Dona Amélia já não vive
Mora orgulhosa no céu
José seu irmão tá em Recife
Outra abelha que deu mel
Me orgulho de ser seu amigo
E a todos os deuses bendigo
Neste modesto cordel

José foi ser professor
Na Universidade do Ceará
A sua mulher a Maria
Eu quero homenagear
Belo exemplo de gente
Seguiu com José prá frente
Fez sua estrela brilhar

Foi Secretário de Desenvolvimento
Do governo do Maranhão
José Lemos tinha um sonho
Falo aqui em primeira mão
Abrir guerra contra a fome
Foi esta a meta do homem
José Lemos meu irmão

José de Jesus e Lula
Neles vejo semelhança
Ambos são nordestinos
Passaram fome na infância
Em José Lemos confio
O Lula está por um fio
Até perdi a esperança

Aqui concluo os meus versos
Escrevo com o coração
A vida de um conterrâneo
Nascido no Maranhão
Uma bela história de vida
De uma pessoa querida

José Lemos, nordestino,
meu amigo, meu irmão.

Jorge Sales

Eu passo

12 de fevereiro, 2008 © Publicado por Jorge Sales

Letra: Jorge Sales | Música: Denise Dalmacchio | Canta: Denise Dalmacchio
Ouça a música:

Nos meus atalhos
A passos largos
Caminhos doces
Outros amargos
Já não me importa
Se abro a porta
Se como a carne
Ou se rôo o osso
É importante
Mesmo distante
Daqui em diante
Se eu falo ou te ouço

Nos meus problemas
Eu passo ao largo
Mesmo que sejam
Mais que encargos
Ninguém se importa
Se a estrada é torta
Se o sol se põe
Ou se a chuva cai
Daqui em diante
Mesmo distante
Já não me importo
Se vens ou se vais

Estou ciente
Nem tudo na vida é permanente
Não tenho o dom do fracasso
Amor latente, eu passo.

Jorge Sales

Amiga Ana

12 de fevereiro, 2008 © Publicado por Jorge Sales

Quando pensei que a sala estava vazia
Apareceu  uma estrela dentro dela
Ela brilhava e nesse brilho o que se via
Eram umas cores que formavam uma aquarela

Passavam a paz, uma beleza em harmonia
Um esplendor que a tornava inda mais bela
No delicado brilho coloquei-me em sintonia
Delicadeza  passou a ser minha chancela

A sala se transformou em  firmamento
Sua presença para mim mais que acalento
Os meus sentidos lhe esperavam em campana

E todos os dias na ânsia de sua presença
Eu a esperava com o rigor de excelência
No canto da sala reservado para ANA.

Jorge Sales

A Ordem Celeste dos Jardins

7 de fevereiro, 2008 © Publicado por Eliane Guaraldo

Eliane Guaraldo
7-II-8

Ah esse jardim infinito!
semeadores anônimos
a plantar sempre e tanto
sem jamais colher.

.

Durante o dia
não descansam
-a vista engana:
abóbada vazia.
.
Mas, cai a noite
e hei-los, todos!
por sua obra:
E s t r e l a r i a.
.
No azul cravejada
e de fazer inveja
a qualquer crochet de Mariana
.
O lugar de cada planta
é fitar como num espelho
sua estrela gêmea
no firmamento.
.
Estrelas na terra?
Jardins no céu?
Mnemonia…
.
E então chegou Lineu e bagunçou toda ordem celeste dos jardins
com sua mania
de pôr plaquinhas
e batizar em latim.

Desencanto

7 de fevereiro, 2008 © Publicado por Jorge Sales

Letra: Jorge Sales | Música: Alvinho Assunção | Canta: Fabiana Barreto

Ouça a Música:

Hoje perdi o ensejo
Hoje perdi meu enredo
Hoje confesso meu caro
Sem muito aparato
Essa cara cortou meu barato.

Hoje perdi o meu sono
Hoje perdi minha meta
Hoje perdi a palavra
Sou menos poeta

Hoje perdi a poesia
Hoje perdi o encanto
Amanhã será outro dia
Mas hoje, só hoje
Deixa eu ficar no meu canto

Jorge Sales e Eliane Guaraldo em Vitória setembro 2007

7 de fevereiro, 2008 © Publicado por Eliane Guaraldo