Dos arquivos de Rubenio Marcelo – Parte III
23 de janeiro, 2009 © Publicado por Dani Lima
Cordéis-documentos que registram as primeiras viagens de Rubenio para Vila Velha – ES (2003 e 2004), terra que Jorge Sales adotou como sua. Como estas obras foram escritas nas datas constantes nos respectivos cordéis, retratam obviamente acontecimentos e pessoas/personagens da época.
UM ESTADO DE ESPÍRITO, ESTADO DE ENCANTO, UM ESPÍRITO SANTO!
03/08/2003
Rubenio Marcelo
Todo amigo de verdade
É um perenal abrigo.
Sim, é um porto seguro
O bom e sincero amigo.
Jorge Sales é assim,
Amigo, irmão, querubim…
É com a alma que eu digo.
Assim fui pra Vila Velha,
Aquele lindo lugar.
Chegando no aeroporto,
Eu pude logo avistar
A Roseane e Jorginho,
Que chegaram bem cedinho
Somente pra me esperar.
Dali fomos para o lar
Do vate Jorge Ribeiro;
E, após aquele banho
E trocar roupas ligeiro,
Saímos num papo bom
Pra ver a turma do som
E começar o roteiro.
Saímos bebendo a noite,
Rumamos para Vitória;
Naquele Espírito Santo,
Naquela sagrada glória;
Naqueles ares artísticos,
Curtindo pontos turísticos
E revivendo a história.
Lá no Café do Museu,
Ouvimos Mara Veloso,
Cantando e já encantando
Com timbre miraculoso.
Ao seu lado, sem alarde,
O seu maridão Libardi
Estava todo dengoso.
Jamais irei esquecer
Aqueles belos momentos:
Mara Veloso cantando
Nosso “Destino dos Ventos”;
E ainda outras canções
Repletas de emoções
E “A Paz em Movimentos”.
Depois, já em Vila Velha,
Com alma a todo vapor,
Fomos ouvir Cecitônio,
Grande músico/cantor;
E vimos lá na platéia
A nossa amiga Andréia,
Que é também um amor.
Ouvimos “Almas em Chamas”
Na bela voz do parceiro:
O Cecitônio Coelho,
Tesouro-cancioneiro!
Um dos maiores artistas
Que já miraram minhas vistas
Nesse torrão brasileiro.
Em seguida, prosseguimos
Nesse fantástico clima…
E fomos a outro “Point”
Ouvir o Barbosa Lima:
Parceiro-irmão de verdade,
Artista de qualidade!
De Deus, uma obra prima!
Barbosinha, no seu pinho,
Com seu estilo altaneiro,
Cantava “Praia da Costa”,
Provando ser verdadeiro;
E, selando a emoção,
Tocava inda “Coração”
E “Destino do Vaqueiro”.
Quem tava também por lá,
Com seu jeitão brincalhão,
Com grã sensibilidade
(pureza no coração),
Carisma e muita alegria,
Talento e sabedoria,
Era o amigo Marcão.
Bom baiano de Ilhéus,
Mas hoje vila-velhense,
Marcão ostenta o carinho
E o jeito nordestinense,
Fraterno como um irmão!
− E é assim que Marcão
Com sua paz tudo vence.
Bom de gogó e de ritmo,
Marcão não conhece o mal.
É bamba e adora um samba
Pra alegrar o pessoal.
Fascina o povo dali,
Criou o “Fi-ri-fi-fi”
Pra animar o carnaval.
Esse bloco de artistas,
Que é sério, não é brinquedo;
Pois tem o Jorginho Sales:
Um diretor sem segredo.
E nesse Firififi,
Barbosa Lima e Ceci
Puxarão o frevo-enredo.
Agora volto a falar
Da minha bela excursão;
Da nobre hospitalidade
E cada uma emoção
Revestida de encanto
Daquele Espírito Santo
Que ornou meu coração.
Também não posso esquecer
Da confraternização
Que Jorge e sua família
Montaram, com atenção;
Festança espetacular
Para me homenagear
Com muita dedicação.
Churrasco, música, cerveja,
Cantores e violões,
Timbraram aquele encontro
Com divinais emoções…
Roseane, no teclado,
Com Mara, do outro lado,
Cantaram belas canções.
Assim, em contentamento,
Neste carinho mui pleno,
Peguei também a viola,
Solando em tom mui sereno;
Na flama desta resenha,
Mirando a Igreja da Penha
E o Morro do Moreno.
Cantei com o Barbosinha,
Que foi pra mim u’a lição
De vida e de competência,
Talento e sábia visão;
E pra não perder a rima,
Eu digo: Barbosa Lima
É luz na nossa canção!
Tive também o prazer
De cantar acompanhado
Por Cecitônio Coelho,
Com seu ponteio sagrado;
Naquele são ambiente
Repleto de fina gente,
De amigos pra todo lado…
Ali estavam Libardi,
A Mara, Tojal e Vera;
Jorginho Ribeiro Sales
Com irmandade sincera;
Ângela, esposa de Jorginho,
O Marcão e o Marquinho
E ainda outra galera.
A Madalena e o Bruno,
Juliano e a Adriana
Complementavam os Geller
Com a princesa Juliana;
Eloísa e seu marido:
Tudo um povo mui querido,
Tudo gente mui bacana.
Eu agradeço também
À Lisitânia, aplicada
Esposa do Barbosinha,
E toda familharada;
Pela sua bela festa
Com amigos da seresta
Até bem de madrugada.
Também foi muito legal
Ouvir as nossas canções
Tocadas na FM,
Com grandes aprovações;
No carro, à beira-mar,
Ficamos a escutar
As nossas composições.
Envio um forte amplexo
A estes reais tesouros:
À Rádio Praia da Costa,
Ao Clóvis, voz de besouro;
E ao Rossini Macedo,
Que se veste do enredo
Do grande Tonho dos Couros.
Rossini é bom companheiro
Dos melhores que já vi;
Comunicador perfeito,
Traz o improviso em si;
Empurra o povão pra riba…
Orgulho da Paraíba,
Presente do Picuí!
O Tonho, seu personagem,
É este cômicozinho,
Que nas apresentações
contracena com Sininho;
O Tonho, desmantelado,
É cabra nordestinado
Que faz maior burburinho.
E agradeço à Gazeta
Pela entrevista e o convite.
Pois lá, com Barbosa e Jorge
Cantamos, demos palpite,
Fizemos um escarcéu
E falamos de cordel
Num programa de elite.
Falamos com apetite
Da Arte e do porquê
Da Cultura Popular,
Nosso fecundo ABC.
E de maneira sutil,
Mostramos todo perfil
Que tem o nosso CD.
Ainda quero abraçar
O amigo Santacruz:
Irmão gêmeo da Cultura,
Sol de sacrossanta luz;
Sua palavra é canção
Que toca no coração,
Nos revigora e seduz!
E agora, pra terminar
Esta sincera menção,
Eu falo, pra Jorge Sales,
Daqui acenando a mão:
− Mais uma vez o saúdo;
Muito obrigado, por tudo,
Parceiro e amigo-irmão!
E diga aí pra Tininha,
A cadelinha estelar,
Que nunca eu esquecerei
A sua imagem, o olhar…
Egídio nunca se engana:
-”Tininha pra ser humana
só falta mesmo falar!”.
À carismática Cíntia,
Secretária do Jorginho,
Que sempre nos recebeu
Com seu riso-passarinho,
Expresso, com distinção,
Nossa real gratidão
Pelo seu meigo carinho.
Se agora me perguntarem
Um estado de encanto,
Um estado de espírito,
Um santificado canto,
Um mui sacrossanto estado,
Um tanto, um quanto sagrado,
Direi: − Espírito Santo!
® RUBENIO MARCELO
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VILA VELHA!… MINHA NOVA PAIXÃO
(Terra, Mar e Ar… e gente…)
21/01/2004
Rubenio Marcelo
Jorginho Ribeiro Sales,
Meu parceiro, meu irmão,
Obrigado novamente
Pela grã recepção;
Pelo calor-maravilha
Seu e de toda família,
Carinho e dedicação…
M a t e r i a l i z a ç ã o
d’amizades verdadeiras…
Fraternidade brotando
E avançando fronteiras…
Amplexos dos corações
Jorrando em mil borbotões
Quais águas nas cachoeiras…
Na vida na há barreiras
Para a nobre lealdade,
Nem distância que desfaça
Os laços duma amizade;
Inda mais, principalmente,
Quando os misteres da gente
São grãos de sinceridade.
Vila Velha!… Esta cidade,
Habita o meu coração;
Pois ali tem Jorge Sales
E toda a nossa nação
Da música, da poesia,
Da Arte do dia-a-dia
Num mesmo diapasão.
Barbosa Lima, Marcão,
Libardi e Paulo Ferraz,
Mara Veloso e Ceci
E também o Johnny Paz;
Gegê, que parece um anjo,
O Roger – rei do arranjo –
Batchá, que é outro ás…
Toda esta turma é demais!
Apronta e já pinta o sete…
Tem ainda a Lisitânia,
Augusto e também Marlete:
Esta, a alegria esbanja…
Mas quando for dar uma canja,
Não esqueça aquele lembrete…
E nesta festa, Marlete
Chama Augusto pra dançar…
Luiz Paulo e Jaqueline
E a Verinha com Tatá,
Vandinha com Johnny Paz,
A Cris com Paulo Ferraz
Também irão se soltar…
Cante “Terra, Mar e Ar”,
pra festa ficar legal;
Chame todos pro salão,
Convoque o bom pessoal
Pra animar mais o baile…
A Ângela com Jorge Sales,
E a Vera com Tojal.
Ó saudade matadeira
Que aperta esse coração…
Ó meus amigos do peito
Jorginho e toda nação…
Em mim reluz a centelha
sagrada de Vila Velha,
A minha nova paixão!
Se agora me perguntarem
Um estado de encanto,
Um estado de espírito,
Um santificado canto,
Um mui sacrossanto estado,
Um tanto, um quanto sagrado,
Direi: − Espírito Santo!
® RUBENIO MARCELO


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