4 anos de site, 2 anos sem Jorge

26 de janeiro, 2011 © Publicado por Dani Lima

Nestes últimos 20 dias, passaram duas datas muito importantes para este site e que merecem registro: 30 de outubro este site completou 4 anos no ar e em 14 de novembro completaram 2 anos que Jorge nos deixou.

Fico feliz em manter este site, preservando a memória e o trabalho de Jorge, mesmo que não consiga mais atualizá-lo tão frequentemente. Mas para marcar estas duas datas que passaram, publico este cordel, escrito por Jorge na ocasião do falecimento do poeta popular Patativa do Assaré e publicado originalmente no site Usina de Letras. A homenagem, prestada de forma carinhosa por Jorge, vale agora para ele mesmo – um pedaço do Maranhão, doce como mel que agora é estrela.

A Deus Chico ,a Deus Patativa

Morre um pouco do cordel
Os cordelistas de luto
O mundo fica mais bruto
Foi-se doce como mel
Numa viagem pro céu
Seguindo Chico Xavier
Acredite se quiser
Um pedaço do nordeste
Virou estrela celeste
Patativa do Assaré

Jorge Sales

Inspirado em Jorge Sales

21 de janeiro, 2010 © Publicado por Dani Lima

Por Felipe Lobo dos Santos
Felipe escreveu esta poesia inspirado na letra ‘Destino dos ventos’ de Jorge Sales:

Capa de valentia dos ventos,
mestre e vela quando necessários,
Assim não sendo,
É coração o leito do rio.
Da crua situação sertaneja,
nas pedras entalhadas dos calores
para o único desfecho de pedra polida.
Nas margens do coração
tudo é circunstância de todas as águas.
Dos olhares, ‘sobredestinos’ de suas fontes,cristalinos,
são pescadores das mesmas profundidades dos rios
a que se lançam profecias de marés.
Os frutos das pescarias,
que são das vidas mareadas,
como estas são um só
e para serem sempre um só
e não serem solitários,
escolhem entre os destinos
serem oceânicos,
São porque não há,
neste mundo,
nem nos próximos,
embarcação que talhando as ondas,
cicatrize suas águas.
Que elas sabem aproveitar
o mesmo embalo de mãe tormenta
para fazerem-se enquanto deslizar
e entre os quereres e o destino,
o seu firmamento.

Felipe Lobo dos Santos

Poema para Jorge

18 de janeiro, 2010 © Publicado por Dani Lima

Por Graça Ribeiro
Poema em homenagem a Jorge, enviado por sua amiga Graça Ribeiro em 14/01/2010

Gosto de escrever ouvindo música
Hoje o tic tac do relógio imaginário
pôs imagem do passado no caminho
livros antigos e página do dicionário
pularam de dentro do meu armário

A memória é um poema adormecido
basta ouvirmos o que o silêncio diz
e a palavra tenta dizer ao aprendiz
para não parar no meio da estrada
desvios são os desatinos da jornada

Os óculos perdidos em cima da mesa
grãos de café sobre a folha amarelada
trouxeram presença do tempo vivido
lembranças já um pouco desbotadas
com o sabor de um amor tão querido

Tornamo-nos apaixonados pelo verso
mas o tempo desta vida nos separou
agora ele é estrela em outro universo
o que ficou foi o que nunca terminou
o amor pela poesia que nos aproximou

Dedicado ao amigo Jorge Ribeiro Sales que agora é saudade.
Graça Ribeiro

Para Sal, alegre ou triste?

2 de setembro, 2009 © Publicado por Dani Lima

Sal, tenho que confessar
que nunca vou te entender.
Ontem te vi tão tristinha,
jeito de tanto sofrer
que até cheguei a pensar
que teu mal fosse de amor.
E hoje, tão alegrinha,
tu vens tirar pra dançar
um elegante senhor?

Eu só posso deduzir
- e isso eu faço a sorrir –
que és bem dura na queda,
difícil mais forte achar
e, nascida para amar,
ninguém te transforma em pedra.

Jorge Sales
Publicado originalmente em 18/03/2002 no site Usina de Letras

Volte logo

21 de julho, 2009 © Publicado por Dani Lima

Foi ontem
Já faz tanto tempo
A gente não fala
Te escrevo
Não respondes
“Volte logo”
Sem demora
Não vejo a hora
Quero ver-te cara a cara
Tomara
Já que me atropelaste com teu sorriso
Vens me trazer lenitivo
Fazer curativo

Jorge Sales
Publicado originalmente em 10/12/2001 no site Usina de Letras

Andaraí

24 de abril, 2009 © Publicado por Dani Lima

Eu perdido por aqui
E tu
Andaraí

Jorge Sales
Publicado originalmente em 14/08/2002 no site Usina de Letras

Quando este dia vier

17 de abril, 2009 © Publicado por Dani Lima

Logo logo ficarei
com a pessoa que quero
e,salvo engano,
neste dia serei rei ,
rei de todos os meus planos .

Eu um dia ainda hei
de realizar meus planos
neste dia serei rei
rei de todos os meus sonhos

Hei ainda de passar
por todos os meus atalhos
nos atalhos vou achar
o objeto sonhável
e neste dia admirável
melhor de todos os dias
aí entregar-me- ei
a todas as fantasias

Jorge Sales
Publicado originalmente em 04/08/2005 no site Usina de Letras

Desejos no Natal

25 de dezembro, 2008 © Publicado por Dani Lima

Eu desejo
A ti
Muitos sonhos
Muitas realidades
Mais realidades que sonhos
na verdade
Que os sonhos se transformem
em realidades
Que as realidades sejam melhores
que os sonhos
Que os sonhos sejam de verdade

A Jesus Cristo
Um feliz aniversário

E ao Brasil
Três poderes
O Legislativo
O Executivo
E o Judiciário

Jorge Sales
Publicado originalmente no site Usina de Letras em 18/12/2001

Saudade

21 de novembro, 2008 © Publicado por Dani Lima

Hoje completam 7 dias que Jorge Sales nos deixou para ir fazer compania aos anjos no céu. Mas ele deixou muitas saudades aqui na terra. E é por isso que hoje publico um poema dele que fala deste tema.

Saudade
Você não sabia?
Saudade acorda, tem pressa,
saudade faz poesia.
Saudade marca, dá frio,
abarca, causa até desvario.

Um poeta até já disse
que saudade mata a gente,
é um tipo de sentimento,
que toda pessoa sente.

Mas se é pura verdade,
que saudade mata gente,
responda com sinceridade,
e a gente?
Como é que mata a saudade?

Jorge Sales

Mil corações

6 de novembro, 2008 © Publicado por Dani Lima

Tenho em mim todas as emoções
Todas as emoções tenho em mim

Tenho em mim todas as sensações
Todas as sensações tenho em mim

Tenho em mim desejos impossíveis
Que pretendo realizar na medida do possível

Tenho em mim todas as pretensões
Todas as pretensões tenho em mim

Tenho em mim mais de mil corações
Todos pulsando por ti , tenho prá mim.

Jorge Sales

Quem sabe um dia

16 de outubro, 2008 © Publicado por Jorge Sales

Quem sabe um dia “cumpadi”
A vida será sempre poesia
Um mundo só de harmonia
O contrário do reverso da alegria

Eu ,você outros poetas
Sem medo em qualquer cidade
Um mundo bom de verdade
Quem sabe um dia “cumpadi”

Quem sabe um dia “cumpadi”
Uma vida de bonança
O renascer da esperança
Sermos simples qual criança

Confiança quase crença
Prevaleça a liberdade
Amigos de qualidade
Quem sabe um dia “cumpadi”

Quem sabe um dia “cumpadi”
Vá -se embora a violência
E como conseqüência
Muita paz muita decência

Torço prá sabedoria
Não ser exclusividade
Muita positividade
Quem sabe um dia “cumpadi”

Jorge Sales

Magia

9 de outubro, 2008 © Publicado por Jorge Sales

Em silêncio .
Procuro a poesia.
Encontro mais que isso.
Magia.
Você bem perto se achando distante.
O sonho da realidade eqüidistante.

Sonho Sonhado

9 de setembro, 2008 © Publicado por Jorge Sales

Se não consigo dormir
Invente uma canção de ninar
Cante-a prá mim devagar
Como se eu fosse criança
Devolva aquela esperança
Que cheguei a ter um dia
De ficar junto a teu lado
Depois de um sonho sonhado
Te recitar poesias

Mas, se eu dormir muito tempo
Depois da noite de amor
Cubra-me com teus pensamentos
Lance em mim teu fulgor
Quero acordar de manhã
Te abraçar com afã
Todo faceiro e risonho
Descobrir que não era sonho
E como fosse teu amado
Viver um sonho acordado.

Jorge Sales

Fazendo as contas

7 de setembro, 2008 © Publicado por Jorge Sales

Fazendo as contas

Hoje resolvi fazer uma conta
das fontes de minha inspiração
daquelas que me vêm do coração
e constituem os poemas de ponta

fiz as contas e ai eu fiz de conta
que não me inspiraste nunca não
não fiz poema pra ti nem no embrião
mas nem isso não te desaponta

pois sabes que és a minha musa
e minha poesia nunca te recusa
qualquer que seja a situação

e se o poema falar de carinho
e se não estiveres no caminho
com certeza eu farei a revisão.

Jorge Sales

Faço versos

2 de setembro, 2008 © Publicado por Jorge Sales

Faço versos
Sem nenhum formalismo
Sem preocupações com lirismo
Sem nenhuma pretensão
Eu os faço com o coração

Faço versos
Como quem conversa
À beça
Palavras a esmo
Eu, cambono de mim mesmo

Jorge Sales