RODA DE PROSA E POESIA
Este é um espaço democrático, aberto à cultura brasileira. Aqui amigos de Jorge Sales estão convidados a partilhar suas poesias, seus contos, seus cordéis, suas prosas, suas músicas, suas idéias, seus pensamentos, seus sentimentos.
Se você deseja fazer parte deste grupo, mande um e-mail pedindo um convite.
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>>ATÉ MAIS<<

14 de novembro, 2008 © Publicado por Dani Lima

Felipe Ferraz, parceiro de Jorge Sales, me pediu para publicar o texto abaixo em homenagem ao Poeta.

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O que me assusta é a tênue linha entre a vida e a morte. Sabido limiar que se mostra indecifrável em instantes assim.

Não me assusta meu amigo ter ido embora. O terreno foi preparado. Mesmo com alguma dor, Jorge sabia observar o tempo, e o solo dos caminhos e corações onde pisava se tornavam férteis.
Meu amigo clareou minha vida num dia qualquer. Em meio a doses de euforia, desejava a brisa de uma canção para sua “semente de amor e também muita bondade.”

“Um mar fecundo” era a mente de Jorge. Onde brotavam letras, palavras, poemas. Suas rimas eram a singeleza, da cor de sua pele e sua alma.

E seus maiores temas eram a amizade, o amor. Sentimentos que não se acabam.

Jorge era sabido. Semeou alegria e colheu pedaços de cada um que encontrou pelas esquinas da vida.
Nos levará com ele, pra eternidade.
Até mais amigo!!

Felipe Ferraz
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Abaixo a música “Claridade”, parceiria entre Jorge Sales e Felipe Ferraz. Esta versão da música entrou no último CD de Felipe e Jorge teve a oportunidade de ouvi-la há uns 15 dias atrás.

Claridade
Letra: Jorge Sales | Música: Felipe Ferraz | Canta: Felipe Ferraz

Busquemos todos “claridade”, sendo planta que dá semente de amor e bondade. Jorge gostaria disso.

Obrigado Jorge Sales

14 de novembro, 2008 © Publicado por Rogério Borges

Me sinto um privilegiado por Deus, de ter feito muitas canções com este parceiro, pai, incentivador e Poeta Jorge Sales. Perco de meu “convívio na terra o Jorge”, em pleno período de gravação de nosso trabalho “Disco de Compositor”, onde as músicas foram feitas todas em parceria com o Jorge Sales.
Seus cordéis, suas poesias, jamais serão esquecidas por nós artistas do ES.Seu apoio aos vários projetos culturais em Vila Velha, foi fundamental.Vamos continuar cantando Jorge Sales, vamos continuar lendo o Jorge Sales, vamos continuar amando o Jorge Sales, o nosso amigo Jorge Sales. Eu particularmente aprendi muito com você Jorge, voce me ajudou a crescer como ser humano. Até breve meu velho, um beijo, e dê um abraço no Pixinguinha quando você encontrar com ele lá no céu.

Rogerinho Borges

Adeus ao Pai, Amigo e Mestre

14 de novembro, 2008 © Publicado por Henrique Corrêa

Pai
Pai que é pai de longe
Agora tão longe que não mais verei

Pai
Pai que sempre esteve
Pai que nunca mais terei

Amigo
Muito mais amigo que pra ti eu fui

Amigo
Com lindo sorriso e mais brilho que a luz

Mestre
Ensinou-me os truques e também besteiras
Mostrou-me todas as formas de alegria
E somente uma forma de tristeza

Já deixa saudades
Um dia também hei de deixar
Um dia iremos, talvez, nos reencontrar

Já deixou história
Já registrou seu nome no mundo
Já fez mais do que quem acha que fez tudo

Já deixou a vida
Mas virou imortal
Cravando no mundo suas palavras em versos
Gravando no coração da gente seu rosto, sua alma

Crença

13 de outubro, 2008 © Publicado por Eliane Guaraldo

CRENÇA | 13-10-2008

Esqueci-me, tu sabes, de recomeçar,
arte que não sei mais dizer como é …
há muito que vejo e só vivo da fé
que tenho aprendido em ti a cultivar.

Disseste um dia que era pura crença
o que nós fizemos desse amor imenso
que de tanto amar e de tão intenso
não sabe-se mais em uma outra presença.

O exercício do amor que aprendi contigo
é o mais doce e profundo que pude viver
e nesta verdade eu ainda prossigo.

Já passa de crença esse puro querer
o meu coração tem em ti o seu abrigo
o resto é só nada, sei reconhecer.

Eliane Guaraldo

Eu quero falar de Amizade (para Jorge Sales)

12 de setembro, 2008 © Publicado por Eliane Guaraldo

 

Eu quero falar de amizade

Como se fosse o presente

Que assim, meio de repente,

Acontece numa idade

Em que a gente quer verdade

Sabedoria e bom vinho

Eu sei que nunca é sozinho

Quem encontrou um amigo

Muito mais do que abrigo

Encontrou o seu caminho.

 

Eu quero falar de amizade

Como se fosse um achado

Um tesouro encontrado

De enorme raridade

Porém sem solenidade

Se acomoda no seu peito

Completo e de um tal jeito

Que preenche o coração

 “Fusão … sem explicação”

Um mote mais que perfeito.

 

Eu quero falar de amizade

Como o amor que não termina

Mas liberta,  reanima

Em total cumplicidade.

Ela vive em paridade

Com o respeito absoluto

E o coração impoluto

De mágoa ou mal pensamento

Desenvolve o acalento

Sinceridade é seu fruto.

 

Eu quero falar de amizade

Como algo que não se explica

Mas se sente e identifica

Quando ele é de verdade

Porque deixa uma saudade

E o desejo de encontrar

Sem contudo provocar

Qualquer dor ou sofrimento

Pois é nobre sentimento

Que pra sempre vai ficar.

 

Eu quero falar de amizade

Como sentimento vivo

Exercício que cultivo

Em sua integralidade

E com grande intensidade

Já que aprendi contigo

É um dom que eu persigo

Ami-zade é amar com arte

Eu te amo e destarte

Tu és o meu grande amigo.

Culpa

8 de setembro, 2008 © Publicado por Dani Lima

A culpa corrói,
o coração dói.
Ato impensado,
cruel, pesado
no tempo perdura.
Não há outra cura
senão,
pedir por perdão.

9 1/2 semanas

29 de maio, 2008 © Publicado por Eliane Guaraldo

9 1/2 Semanas

1
de manhã acordei cedo
como quem o dia inventa
marcar encontro com o encanto

2
de manhã acordei sem medo
como pão que me alimenta
teu telefonema e tanto!

3
outro dia, engano ledo!
levantar em marcha lenta
tua voz não veio, espanto.

4
hoje mudei meu enredo
ou o coração não agüenta
fiz figa contra quebranto

5
de manhã acordei tarde
me enroscando ao travesseiro
como gato no novelo

6
lembro não ter feito alarde:
tu vinhas, alvissareiro
com capricho, com desvelo

7
achei a vida covarde
não trazer-te por inteiro
apesar do meu apelo

8
o coração teima e arde
E se o sonho é verdadeiro?
-me acorda o teu cotovelo…

9
sapatos descalços no chão
os nossos sonhos mesclados
realidade ou invenção

\repete\

achado

6 de maio, 2008 © Publicado por edimoginot

 achado

às vezes
parecemos peças
de um jogo ultrapassado

um mundo
virado às avessas
um viver tão delicado

que só podemos
romper a promessa
que nos mantem amarrados

para escrever
uma nova peça
e achar um novo achado

 

 

assim

6 de maio, 2008 © Publicado por edimoginot

 assim

 

a vida devia
ser sempre assim

a gente se esbaldando
num lençol de cetim

eu me enroscando
em você

e você se enroscando
em mim

.

 

Dia Internacional da Mulher

17 de março, 2008 © Publicado por José Lemos

Dia 8 de março, comemora-se o “Dia Internacional da Mulher”. A data tem uma simbologia importante, na medida em que nos faz refletir acerca do papel da mulher numa sociedade machista, complexa e desigual como a brasileira e, sobretudo, na Amazônia e no Nordeste, as duas regiões mais carentes do Brasil. Estive relendo o livro do Gilberto Freire “Casa Grande e Senzala” e nele podemos observar a importância da mulher em toda a trajetória econômica, social e política do Brasil, desde o seu descobrimento. Ali está relatado como viviam as negras ‘importadas’ da África que eram escravizadas e, nesta condição, também estavam obrigadas a servir aos devaneios libidinosas dos seus senhores. Igualmente está descrita a saga das índias, que também eram escravizadas, tratadas como objetos sexuais e, por isso, eram contaminadas pelas doenças venéreas transmitidas pelos colonizadores. O contato com esses colonizadores contribuiu para dizimar boa parte da população indígena brasileira, ou pelas doenças contraídas a partir do contato físico, ou pela disputa desigual pelas riquezas naturais da Colônia pertencentes aos nativos, ou mesmo pelo próprio processo de escravização que lhes foi impostas pelos alienígenas.

Mas as negras e índias, mesmo sob condições desumanas, exerceram papel importante na formação da população brasileira, na sua miscigenação e na sua aculturação. Participação importante também tiveram na nossa culinária e sobre os nossos hábitos, inclusive na nossa forma de falar o português. Assim, pode-se dizer que aquelas mulheres anônimas, subjugadas, humilhadas, maltratadas e desrespeitadas tiveram uma grande contribuição na formação do aglomerado que hoje nós constituímos. Não poderiam, portanto, ser esquecidas numa data que se tenta homenagear as mulheres. Continua »

Acontece

12 de março, 2008 © Publicado por Henrique Corrêa

Rápido? Nem sei
Veio correndo e eu peguei
Não podia deixar passar

Veio desengonçado
Quebrava tudo ao lado
Foi dificil aceitar

Mas chegou fazendo efeito
Não sei explicar direito
Foi mais que qualquer razão

Sem saber de que era feito
Procurei algum defeito
Algum meio de invasão

Invadi sem piedade
Se não fosse ter vontade
Não teria acontecido

E acabei gostando disso
Parece jogou feitiço
E ainda está comigo

Eu até forcei um pouco
Meio apressado e louco
Não podia mais largar

Expulsei minha tristeza
Pois era sua beleza
Que acabara de chegar

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Por Henrique Corrêa

Grau superlativo absoluto

26 de fevereiro, 2008 © Publicado por Henrique Corrêa

É agradabilíssima!
Simplíssima ou simplicíssima…
E simílima ao humílimo sentimento felicíssimo.
Fidelíssima aos costumes,
Elegantíssima!
Docílima e dulcíssima!
Ela. Amabilíssima!
Comuníssimo pensar que sou capacíssimo de tê-la!
Mas dificílimo de ser amicíssimo.
Quanto mais amaríssimo…
Mas ela escolheu grácilmente meu íntimo,
sapientíssima.

A Ordem Celeste dos Jardins

7 de fevereiro, 2008 © Publicado por Eliane Guaraldo

Eliane Guaraldo
7-II-8

Ah esse jardim infinito!
semeadores anônimos
a plantar sempre e tanto
sem jamais colher.

.

Durante o dia
não descansam
-a vista engana:
abóbada vazia.
.
Mas, cai a noite
e hei-los, todos!
por sua obra:
E s t r e l a r i a.
.
No azul cravejada
e de fazer inveja
a qualquer crochet de Mariana
.
O lugar de cada planta
é fitar como num espelho
sua estrela gêmea
no firmamento.
.
Estrelas na terra?
Jardins no céu?
Mnemonia…
.
E então chegou Lineu e bagunçou toda ordem celeste dos jardins
com sua mania
de pôr plaquinhas
e batizar em latim.

Jorge Sales e Eliane Guaraldo em Vitória setembro 2007

7 de fevereiro, 2008 © Publicado por Eliane Guaraldo

 

Um Bolo Diferente (aniversário de J Sales)

28 de janeiro, 2008 © Publicado por Eliane Guaraldo

Eliane Guaraldo
9-VI-7
Fiz um bolo diferente,
a modéstia fique ao lado
onde o ingrediente
será logo revelado.
mas é uma boa iguaria,
duvido que alguém daria
a conta desse recado.

Um bolo que é bem bolado
com certeza não enjoa
e sempre outro bocado
nunca é demais, nem à toa
a gente quer sempre mais
nem importa, tanto faz
se engorda, é numa boa.

Comecei no melhor estilo
misturando componente
sem essa de tudo a quilo:
mas procedência decente!
bom tempero, bem agosto
e um vinho de bom mosto
no cristal mais transparente.

Esse bolo de bem feito
composto sem desperdício
entre a massa e o confeito
nem mais nem menos bulício
tudo na melhor medida
quem dera fosse esta vida
feita só do doce vício.

Não desejo no momento
provocar salivação
mesmo porque meu intento
é só comemoração
sou aquele bom mineiro
que não quer ser o primeiro
basta ter o “melhor de bão”.

Pode se fazer miséria
com este bom prato então
e não liga para pilhéria
quem é de opinião
este bolo há tempo feito
só pode ser mais perfeito
se for comido com a mão.

Um bom cenário sugira
pra festa comemorar
ao ar livre é que respira
quem nasceu na beira-mar
com jeito mas muito brio
as taças eu providencio
onde as estrelas brilhar.

O paladar é o sentido
de maior valor enfim
o doce que é bem cozido
é bom do começo ao fim
não tem arrepedendimento
pra queijo, pra sentimento
para o bolo e o pudim.

E não se esqueça também
daquele café bem no ponto
chegando tão quente e macio
que o fim eu nem te conto
falando daquele jeito
coado forte e bem feito
que é de deixar meio tonto.

De tudo o que disse acima
tudinho é pura verdade
mas quando é pro bem da rima
com toda sinceridade
eu posso aumentar um pouco
porém nunca fica rouco
o cantor de qualidade.

Esta ressalva que faço
e repito: ao bem da rima
um tantinho eu sempre faço
de mimo e de pantomima
mas sobre o homenageado,
que merece, de bom grado
eu juro e carimbo em cima.

Eu fiz foi sair do trilho
mas nunca falo bobagem
é o biscoito de polvilho
pra distrair na viagem
eu conto os dias que resta
pra chegar na tua festa
com o bolo na bagagem.

Mas nunca podia deixar
de lembrar no calendário
o dia mais que exemplar
que é do seu aniversário
o bolo é de qualidade
carinho e sinceridade
e Jorge o destinatário.